SOBRE A VIOLÊNCIA
A violência assumiu proporções assustadoras. Em todos os lugares, a qualquer hora podemos sentir sua terrível presença. Além da violência sanguinária, exteriorizada e exibicionista característica dos fracos e pobres de espírito estamos cercados por uma violência mais sutil porém muito mais cruel. É a violência opressiva dos poderosos que age com calma, frieza e técnicas refinadas. Ela parece inofensiva mas‚ perigosa pois aliena, despersonaliza e desumaniza mais profundamente que a violência brutal. Ela se manifesta nos preconceitos, na indiferença, no desrespeito, nas diferenças sociais ou econômicas e na exploração de semelhantes.
Todas essas violências contaminam nossas vidas e‚ é preciso fazer alguma coisa para se mudar essa situação criada e mantida por nós mesmos.
Na verdade, somos todos responsáveis pela sobrevivência de todos esses males pois o ser humano continua acreditando na vingança ao invés do perdão; no castigo, em lugar de justiça; no isolamento ao invés da fraternidade.
Não adianta fugir à realidade estabelecida ou, simplesmente desejar que ela mude. É preciso trabalhar muito e acreditar que isso aconteça. Não se consegue a justiça pela violência, a paz pela guerra ou a ordem pela repressão. Existe um caminho mais árduo e trabalhoso. É o caminho da não violência. Ele tem como objetivo promover transformação interior conseguindo com isso uma profunda mudança exterior.
O não-violento é aquele que "ataca" o agressor no campo espiritual, isto é, no plano do pensamento racional, consciente, inteligente e suas armas são mais poderosas, eficientes e disponíveis a qualquer ser que se considere "humano".
O não-violento vence com Amor e Verdade.
Medite nestas palavras de Gandhi: "O coração não violento é mais forte que a bomba atômica. Porque a bomba atômica é limitada, mas o coração manso tem poderes ilimitados."
Texto de Selma R. M. Picolo