O grande baile
Quando o ano começou, lá estávamos nós, de roupa bonita, sapatos bem cuidados, com o melhor perfume, preparados para enfrentar um novo baile da vida...
A música começa, a ansiedade aumenta e nosso coração entra num frenesi como num rock alucinante e ficamos à mercê da avalanche de seleções seguidas de ritmos diferentes.
Assim como nos salões, na nossa existência precisamos aprender a desfrutar todos os instantes e nos deixarmos levar pelas emoções.
Às vezes nos sentimos um personagem de alguma letra de tango quando atravessamos momentos dramáticos, melancólicos e tristes mas a ginga e a flexibilidade desenvolvidas nas aulas de samba nos ensinaram a ter “jogo de cintura” e conseguimos superar todos eles.
Namoramos e amamos intensamente e nos entregamos sem censura aos instantes ardentes e sensuais como nas salsas mais “calientes”.
Também tivemos muitas horas de romantismo absoluto e apaixonadamente nos deleitamos ao som de boleros inesquecíveis.
Passamos por momentos incríveis de felicidade e descontração, soltamos nosso corpo, liberamos nosso cérebro e nos divertimos como nos embalos dos forrós sensacionais.
Mas... pouco a pouco as luzes da pista de dança começam a se apagar, a música tem hora certa de parar e mais um baile chega ao final.
E, no balanço de mais um ano que termina, descobrimos a importância dos sentimentos e das afeições sinceras, o verdadeiro valor das amizades que conquistamos e conservamos e, acima de tudo, notamos que tudo na vida pode se tornar bem melhor quando levado no vai da valsa.
Texto de Selma R. M. Picolo