O BAILE
Aos sábados íamos a algum baile e a ansiedade fazia parte dessa rotina. Ansiedade por esperar o dia do baile chegar, qual roupa vestir, não nos atrasarmos, etc. Porém havia uma que mais nos incomodava, a de se alguém viria nos tirar para dançar. Adorávamos ir ao baile, mas tínhamos um problema sério, não sabíamos dançar.
Num desses sábados, combinamos nos encontrarmos na casa de minha amiga para irmos juntas e, sempre que podíamos procurávamos variar de baile para que ninguém descobrisse que não sabíamos dançar. Eu sempre muito ansiosa marquei de passar na casa dela uma hora antes do baile começar. Ao chegar em sua casa, ela já estava pronta para sair e, ao me sentar em seu carro aconteceu um imprevisto. O zíper do meu vestido descosturou totalmente e, disse-lhe: Xiii... e agora...como irei ao baile? Não dá tempo de voltar em casa para me trocar novamente?
Minha amiga disse:
Não se preocupe. Temos o mesmo tipo de corpo e eu lhe empresto uma saia e uma blusa. O que você acha?
Disse-lhe: Boa idéia!
Assim, depois de me trocar, partimos para o baile.
Notei no caminho, que aquele tipo de tecido parecia entrar em atrito com a meia e a saia subia demais apenas com poucos movimentos, porém, foi o que se pode arranjar. Deixar de ir ao baile, nem pensar.
Ao chegarmos lá, começaram nossas ansiedades a nos incomodar e, logo comentei com minha amiga.
Será que alguém vai nos tirar para dançar hoje?
Nem imagine queridinha, nunca nos tiram, porque vai ser hoje!
Enquanto conversávamos nem percebi um rapaz vindo em minha direção e quase desmaiei quando ele fez um gesto me tirando para dançar. Minhas pernas ficaram moles e tremiam tanto que, ao me levantar, nem percebi que a saia estava querendo subir.
O moço logo percebeu que eu não sabia dançar além de dois para lá e dois para cá e foi paciente comigo. Entretanto, no meio da seleção, a banda resolveu mudar para um ritmo mais rápido e eu, para não dar vexame no salão, tentei acompanhá-lo rebolando o mais que podia. Esqueci completamente que a saia subia. Comecei a notar o olhar das pessoas para nós e achava que estávamos abafando. Era extasiante. Minha amiga me acenava e eu pensava: Puxa, até ela está gostando!
A música terminou e sob o olhar de quase todos do salão caminhamos até a mesa e notei minha amiga de cabeça baixa e, pensei: Ela deve estar emocionada de nos ver dançar tão bem!
O moço agradeceu e se retirou.
Parecia que algo estava errado.
Como as cadeiras eram do tipo de aço, ao me sentar, senti um frio no traseiro fora do normal. Foi então que percebi que estava com a saia na cintura e com o traseiro totalmente de fora.
Envergonhada pensei.
Meu Deus... dancei o tempo todo com o traseiro de fora e ninguém foi capaz de me avisar...
Indaguei minha amiga:
Porque você não me avisou?
Ela – Eu tentei, mas, você estava tão ansiosa e radiante ao mesmo tempo em que não prestou atenção em meus acenos.
Disse-lhe: Fazer o que né? Já aconteceu mesmo. Pelo menos nesse baile não ficamos desapercebidas.
Texto de Reinaldo Lima