A criação da noite, A origem das estrelas, Como nasceram as cataratas, A cidade encantada, O auxílio de São Sebastião, A Virgem Aparecida.
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Negrinho do pastoreio, Lobisomem, Iara, Curupira, Barba Ruiva, Caipora, Saci ou Saci-pererê, Mula-sem-cabeça, Boitatá, Boto, Cuca, Matintapereira.
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BRINQUEDOS&BRINCADEIRAS | Amarelinha, Bola, Cama-de-gato, Cata-Vento, Diabolô, Peteca, Perna-de-pau, Pião, Pipa, papagaio, pandorga ou quadrado, Jogo das pedrinhas, cinco marias ou chincha.
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Desafio, Cantiga de Roda.
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Agogô, Berimbau ou Arco, Caixa, Candongueiro, Chocalho, Cuíca ou Puita, Maracá, Marimbas, Matraca, Pandeiro, Rabeca, Reco-Reco, Surdo, Tarol, Tamborim, Viola.
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Auto de Natal, Bom Jesus dos Navegantes, Cavalhada, Círio de Nazaré, Corpus Christi, Drama da Paixão, Festa da Penha, Festa de Iemanjá, Festa de Nossa Senhora de Aquiropita, Festa de Reis ou Folia de Reis, Festa de Sangenaro, Festa de São Benedito, Festa do Bonfim, Festa do Divino, Festas juninas, Páscoa, Procissão Marítima, Rodeios e Vaquejadas, Festa do Peão de Boiadeiro, Romarias - Ex-voto e Promessa, Semana da Inconfidência, CARNAVAL – Frevo - Afoxés - Trios elétricos - ESCOLAS DE SAMBA.
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AMULETOS | Ferradura, Figa, Trevo de quatro folhas.
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FRASES & PROVÉRBIOS
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Folclore - É a cultura popular formada normalmente pela tradição.
Qualquer objeto que projete interesse humano, além de sua finalidade imediata, material e lógica, é folclórico. Compreende técnicas e processos de interesse particular ou geral, que vão além do objetivo racional atingindo e valorizando o emocional.
O folclore depende e mantém os padrões do entendimento e da ação, mas além de conservá-los também os remodela, refaz ou abandona elementos que perderam motivos e finalidades, até então, indispensáveis. É constantemente transformado, pois a mentalidade do ser humano é formadora e não estática tornando tradicionais dados recentes e os integra no novo fato coletivo.
O conteúdo do folclore ultrapassa o enunciado de 22 agosto de 1846 quando William John Thoms (1803-1885) criou o vocábulo – Folclore (do inglês FOLK-LORE, que significa cultura do povo).
O homem é fonte de criação popular para a vida em sociedade e o folclore estuda essas soluções. Não apenas contos e cantos, mas a maquinaria faz nascer hábitos, costumes, gestos, superstições, alimentação, indumentária, sátiras, lirismos, assimiladas nos grupos sociais participantes.
Em família, somos em grande parte, o que aprendemos com nossos ancestrais. A educação, o respeito ao próximo e o caráter herdamos dos nossos antepassados. Um país é uma grande família. Tem seus costumes próprios, sua formação popular que sobrepuja qualquer reação isolada. Ignorar o folclore do próprio país equivale a desconhecer a própria herança familiar.
O povo brasileiro é produto, em princípio de três raças: branca, negra e indígena. Os costumes desses povos eram diversos e de sua mescla, de sua fusão resultou nossa cultura. E, a cultura popular brasileira é uma das mais belas do mundo. Pena que, como país subdesenvolvido que éramos, estávamos sujeitos a influências dos países mais desenvolvidos. Aceitar nosso folclore passou a ser até mesmo motivo de mau gosto.
O Brasil descobre a si próprio e, a cada dia, nos empenhamos mais em ocupar o merecido lugar entre as principais nações do mundo.
Aos jovens cabe descobrir o folclore. A eles cabe sentir orgulho em cantar nossas músicas, dançar nossas danças, em soerguer nosso artesanato.
O folclore brasileiro é a base de nossas tradições. Devemos ter orgulho de que somos resultado de povos sensíveis e criativos.
Os folcloristas se preocupam em estabelecer as funções desempenhadas por contos populares, adivinhas, quebra-línguas etc., portanto além da óbvia função de divertimento, outras mais são analisadas como instrução e educação, com relevo para os provérbios - resumo da sabedoria das gerações passadas; o controle social mantendo a conformidade dos valores culturais e padrões aceitos de comportamento; a autoridade social validando instituições sociais e religiões rituais; a função sociopsicológica pela qual a cultura popular fornece uma liberação psicológica das restrições impostas ao indivíduo pela sociedade; a função de continuidade cultural, que, englobando as anteriores no seu conjunto, mantém a estabilidade e a continuidade da cultura; a função política que usa o fundo folclórico para a propaganda política ou para favorecer determinadas mudanças sociais.
Segundo o dicionário: “É o sentimento que se funda no medo ou na ignorância e que leva ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de ações sobrenaturais e à confiança em coisas ineficazes. – É o fanatismo, a crendice, o preconceito, a mandinga, a simpatia”.
Quando as tentativas de explicações para as coisas obscuras soam falsas surgem explicações populares baseadas nessa ignorância e no medo do desconhecido.
Prodígios presságios, oráculos, julgamentos obscurecem os poucos fatos naturais relacionados com eles. Mas assim como os primeiros vão escasseando nas páginas dos livros, à medida, que nos aproximamos das épocas esclarecidas, logo aprendemos que nada há de misterioso ou de sobrenatural no caso, recorre da propensão natural da humanidade para o maravilhoso; e que embora esta inclinação possa receber vez por outra um exame do senso e do saber, ela jamais poderá ser totalmente extirpada da natureza humana.
A astronomia - uma das ciências mais antigas - estuda o Sol, a Lua, os planetas, as estrelas e inclui ainda os conhecimentos relativos à própria Terra, explica como o Sol nasce e se põe, dando origem à seqüência dos dias e das noites. Por intermédio da astronomia é possível saber como as estrelas e os planetas se movem, bem como tomar conhecimento das grandes distâncias no espaço. Mesmo antes de existirem os astrônomos, os cientistas que estudam os corpos celestes, as tribos mais primitivas sabiam alguma coisa sobre o céu. Sabiam que o Sol lhes dava a luz e o calor. Sabiam como medir o tempo pela posição do Sol e pela forma da Lua e os primeiros agricultores ficavam atentos à mudança das estações para saber quando semear as diferentes plantas, mas quando os primeiros astrônomos tentaram explicar o que viam no céu, suas explicações soavam quase sempre falsas daí o surgimento de explicações populares para as coisas incompreensíveis – as Lendas.
LENDA - A CRiAÇÃO DA NOITE
No princípio Não havia noite. Só existia o dia. A noite estava guardada. Aconteceu, porém, que a filha da Cobra Grande se casou e disse ao marido:
- Meu marido, estou com muita vontade de ver a noite.
- Minha mulher, há somente o dia - respondeu ele.
- A noite existe sim! Meu pai guarda-a no fundo do rio. Mande seus criados buscá-la.
Os criados embarcaram numa canoa e partiram em busca da noite. Chegando à casa da Cobra Grande, transmitiram-lhe o pedido da filha. Receberam então um coco de tucumã com o seguinte aviso:
- Muito cuidado com este coco. Se ele se abrir, tudo ficará escuro e todas as coisas se perderão.
No meio do caminho, os criados ouviram, dentro do coco um barulho assim: xé xé xé...tém tém tém... Era o ruído dos sapos e grilos, que cantam de noite. Mas os criados Não sabiam disso e, cheios de curiosidade abriram o coco de tucumã. Nesse momento tudo escureceu.
A moça, em sua casa, disse ao marido:
- Seus criados soltaram a noite. Agora Não teremos mais dia, e todas as coisas se perderão.
Então, todas as coisas que estavam na floresta se transformaram em animais e pássaros. E as coisas que estavam espalhadas pelo rio transformaram-se em peixes e patos.
O marido da filha da Cobra Grande ficou espantado e perguntou à esposa:
- Que faremos? Precisamos salvar o dia!
A moça arrancou, então, um fio de seus cabelos, dizendo:
- Não tenha receio. Com esse fio vou separar o dia e a noite. Feche os olhos... Pronto!... Agora pode abrir os olhos. Repare, a madrugada já vem chegando. Os pássaros cantam, alegres anunciando o Sol.
Mas, quando os criados voltaram, a filha da Cobra Grande ficou furiosa e os transformou em macacos, como castigo pela sua infidelidade.
Assim nasceu a noite!
Lenda - A origem das estrelas
Os índios bororós de Mato Grosso explicam a origem das estrelas da seguinte maneira: Há muito tempo, as mulheres de uma tribo saíram à procura de milho e levaram, em sua companhia, um menino. Acharam grande quantidade de espigas maduras. Debulharam, então, as espigas e socaram o milho, com o fim de fazer pão e bolo para os homens que tinham ido à caça.
O menino conseguiu subtrair uma porção de milho em grão e, para esconder o furto, encheu umas taquaras que havia preparado para isso.
Voltando à sua cabana, entregou o milho à avó, dizendo:
- Nossas mães estão, na mata, fazendo pão de milho. Faz um para mim, pois desejo comê-lo com meus amigos.
A avó satisfez o neto. Quando o pão ficou pronto, ele e seus amigos o comeram. Depois, para não serem denunciados, amarraram os braços e prenderam a língua da velha. Em seguida, cortaram a língua do papagaio da casa e puseram em liberdade todos os pássaros criados na aldeia.
Temendo a ira de seus pais, os meninos resolveram fugir para o céu. Dirigiram-se para a floresta e chamaram o colibri. Colocaram no bico do passarinho uma corda muito comprida, dizendo-lhe:
- Pega esta corda e amarra a ponta neste cipó. A outra extremidade prenderás lá em cima, no céu.
O colibri fez o que lhe foi pedido. Então, os meninos, um após outro, foram subindo, primeiro pelo cipó e, depois, pela corda que o pássaro tinha amarrado na ponta do cipó.
Nesse momento, as mães voltaram e, não achando os filhos, perguntaram pelos mesmos à velha e ao papagaio. Não obtiveram, porém, nenhuma resposta. Nisto, uma das mães viu uma corda que chegava até às nuvens, e nela pendurada uma longa fila de meninos, que subia para o céu.
Ela avisou logo às outras mulheres, e todas correram para a mata. Imploraram, chorando, aos filhos para que voltassem para casa, mas não foram atendidas. Os meninos continuaram a subir.
Então, as mulheres, vendo que seus rogos eram inúteis, começaram também a subir pelo cipó e, em seguida, pela corda.
Quando o menino que tinha roubado o milho, o último da fila e, portanto, o último a chegar ao céu, viu todas as mães agarradas à corda, a cortou imediatamente. As mulheres caíram umas sobre as outras e, ao atingirem a terra, transformaram-se em animais selvagens.
Como castigo pela sua monstruosa malvadeza, os meninos foram condenados a olhar, todas as noites, fixamente, para a terra, para ver o que aconteceu a suas mães. Seus olhos são as estrelas.
Lenda - Como nasceram as cataratas
Uma das maravilhas do Brasil são as cataratas de Santa Maria, no Estado do Paraná. Formadas pelo rio Iguaçu, essas gigantescas cachoeiras são constituídas de 276 saltos, situados três léguas acima da foz do rio. Comprimidas pelas rochas, as águas do Iguaçu, numa extensão de cinco quilômetros, despenham-se, furiosamente, de uma altura de oitenta metros! É um espetáculo formidável!
A beleza grandiosa dos saltos de Santa Maria fez nascer uma das mais formosas lendas brasileiras. Ela explica a origem dessas cataratas. É a seguinte:
Os índios Caingangues, que habitavam as margens do rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por Mboi, um deus que tinha a forma de uma serpente gigantesca e era filho de Tupã, o rei dos deuses indígenas.
O morubixaba dessa tribo chamado Igobi tinha uma filha, Naipi, tão bonita e graciosa que as águas do grande rio paravam quando a jovem nelas se mirava. Devido à sua beleza, Naipi ia ser consagrada ao deus Mboi, passando, então, a viver somente para o seu culto. Havia, porém, entre os Caingangues, um jovem guerreiro, belo como o sol, chamado Tarobá, que, ao ver Naipi, por ela se apaixonou.
No dia que foi anunciada a festa da consagração da bela índia ao deus-serpente, enquanto o morubixaba e o pajé da tribo embriagavam-se com cauim e os guerreiros dançavam alegremente, Tarobá fugiu com Naipi, numa canoa, que seguiu, rio abaixo, arrastada pela correnteza.
QuandoMboi soube da fuga dos dois jovens, ficou furioso. Penetrou, então, nas entranhas da terra e, torcendo seu corpo gigantesco, produziu, na rocha, uma enorme fenda, que deu origem a uma catarata. Envolvida pelas águas dessa imensa cachoeira, a canoa dos índios fugitivos caiu de grande altura, desaparecendo para sempre!
Diz a lenda que Naipi foi transformada numa das rochas centrais da catarata, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas. E Tarobá foi convertido numa árvore situada à beira do abismo e inclinada sobre a garganta do rio.
Debaixo dessa árvore, acha-se a entrada da gruta, onde o monstro vingativo e cruel vigia, eternamente, as duas vítimas.
Lenda - A cidade encantada
Alguns moradores de Jericoacara dizem que existe, sob o farol, uma cidade encantada, onde habita uma princesa. A entrada dessa cidade é uma furna que há perto da praia, na qual só se pode entrar quando a maré está baixa. Mas não é possível percorrer essa caverna, porque, dizem, é fechada com um enorme portão de ferro.
A princesa está encantada no meio da cidade, que fica além do portão. A moça é belíssima, mas está transformada numa serpente de escamas de ouro, tendo apenas a cabeça e os pés de mulher. Segundo a lenda, a princesa só pode ser desencantada se for derramado sobre seu corpo um vaso cheio de sangue humano. No dia em que alguém quiser sacrificar-se e oferecer seu sangue, abrir-se-á a entrada da Cidade maravilhosa.
Com o sangue será feita uma cruz sobre o corpo da serpente. Então, surgirá a princesa com sua beleza fascinante, no meio de tesouros e maravilhas indescritíveis. Ao mesmo tempo, erguer-se-ão da terra os castelos e palácios mais lindos do mundo!
Em Jericoacara, um velho feiticeiro chamado Queirós, um dia, resolveu desencantar a cidade misteriosa. Reuniu uma porção de gente e penetrou na caverna.
Quando chegaram ao portão, que dizem ter visto, apareceu a princesa, ansiosa por ser desencantada. Contam que, nesse momento, ouviram cantos de galos, trinados de pássaros, balidos de carneiros e gemidos humanos que vinham da cidade sepultada. Um frio de pavor fez estremecer todas as pessoas que haviam penetrado na gruta.
O feiticeiro, porém, nada pôde fazer, pois ninguém quis sacrificar-se em benefício da cidade encantada. É claro que todos queriam viver para se casar com a linda princesa...
O velho Queirós foi a única vítima dessa aventura. Foi parar na cadeia. E a princesa continua à espera do herói que ofereça o seu sangue para desencantá-la.
Lenda – O auxílio de São Sebastião
A luta entre portugueses e franceses pela conquista da baía de Guanabara fez surgir uma das lendas mais bonitas da história do Rio de Janeiro - a de São Sebastião, padroeiro da cidade.
O fato ocorreu em outubro de 1556. Francisco Velho, mordomo da cidade, saíra com alguns companheiros, numa canoa, em busca de madeira para a construção da capela de São Sebastião. Os franceses e tamoios, embarcados em 180 canoas, estavam escondidos na baía, prontos para atacar os portugueses. Ao verem a canoa de Francisco Velho, resolveram armar-lhe uma cilada. Para isso, enviaram algumas canoas, com índios, para atrair o mordomo.
Francisco Velho, ao ver os tamoios, saiu em sua perseguição. Estácio de Sá, que observara, da terra, a investida do inimigo, partiu, com algumas canoas, em auxílio do mordomo. Fugiram, então, os índios, seguidos pelos portugueses.
De repente, surgiram as cento e oitenta embarcações inimigas, cujos guerreiros começaram a atacar os portugueses com um turbilhão de flechas e tiros de arcabuz. A desvantagem era enorme: para uma canoa portuguesa, trinta dos inimigos. Os franceses e tamoios já se julgavam vencedores. Mas os portugueses combatiam furiosamente, estimulados por Francisco Velho, que gritava: Vitória por São Sebastião!
Súbito, incendiou-se a pólvora de uma das canoas dos tamoios e houve explosão. Nesse momento, a mulher de um chefe indígena agitou os braços, soltando gritos de pavor. Houve então um grande tumulto entre os índios que, não se sabe por que, fugiram aterrorizados.
Os portugueses, que esperavam ser vencidos pela maioria esmagadora do inimigo, ficaram surpresos com o acontecimento. Correu logo a notícia de que tinha havido um milagre. E isso foi confirmado pelos indígenas, que declararam ter visto, durante o combate, um jovem e belo guerreiro, com uma armadura refulgente, saltando de canoa em canoa para atacar os tamoios, sem ser atingido por suas flechas. Logo que voltaram à terra, Francisco Velho, Estácio de Sá e seus companheiros correram à capela rústica, que estavam construindo, para render graças ao santo padroeiro. Diante da ajuda milagrosa do soldado, que os portugueses não tinham visto, tornou-se crença geral que São Sebastião descera do céu para auxiliar os católicos a defender sua cidade.
Lenda – A Virgem Aparecida
Corria o ano de 1717. O Conde de Assumar, Governador de São Paulo e Minas Gerais, era esperado em Guaratinguetá. Os pescadores da vila foram avisados de que deveriam trazer o melhor peixe para a refeição do Governador e sua comitiva.
Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, moradores nas margens do rio Paraíba, cumpriram a ordem das autoridades, partindo de manhã cedo. Logo que chegaram ao meio do rio, lançaram, nas águas, a rede escura da tarrafa.
Repetiram os lanços muitas vezes. E nada de peixe. Os pescadores já estavam desanimados, quando sentiram que a rede tinha envolvido alguma coisa. Retirando-a do rio, os pescadores viram, enrolada no tecido da rede, uma imagem feminina de barro cozido.
Os homens tinham pescado o corpo de uma santa. Faltava-lhe, porém, a cabeça. Pouco adiante, outro lanço da rede trouxe à tona a cabeça da santa. Era uma imagem de Nossa Senhora, de invocação desconhecida, e obra de um santeiro anônimo.
Depois do precioso achado, o peixe abundou na rede dos pescadores. Cada lanço trazia para a canoa uma torrente de peixes, grandes e prateados. Antes do cair da tarde, foi preciso terminar a pescaria, porque a pequena embarcação mal se podia suster à flor das águas.
Os pescadores voltaram cantando de alegria. Filipe Pedroso ficou com a imagem. Chamaram-na Virgem Aparecida, porque "apareceu" para a devoção do povo.
Filipe Pedroso a conservou em sua casa, em Lourenço Sá, durante seis anos. Depois, foi morar em Ponte Alta e aí venerou a imagem durante outros nove anos.
Finalmente, fixou-se em Itaguaçu, lugar do achado, e aí a deu ao seu filho Atanásio Pedroso.
A Virgem Aparecida presidia às orações domésticas na humilde vivenda do filho do pescador. Uma noite, uma lufada de vento apagou as duas velas que iluminavam a imagem. Silvana da Rocha levantou-se para reacendê-las. Subitamente, as velas resplandeceram sozinhas.
A fama da imagem milagrosa se espalhou. O lugar em que ela se achava passou a chamar-se Aparecida. O vigário de Guaratinguetá, padre José Alves de Vilela, fez construir a primeira capelinha da Virgem Aparecida em 1743.
Milagres sucessivos levaram o nome da santa imagem a todos os recantos do Brasil. A antiga capela foi substituída por uma linda igreja, transformada, depois, em basílica. E, sob a invocação de "Nossa Senhora da Conceição Aparecida", a imagem achada nas águas do rio Paraíba foi declarada pelo Papa Pio XI, em 1930, a "Padroeira de todo o Brasil".
Personagens do Folclore Brasileiro
O Folclore brasileiro é também bastante rico em personagens eis a seguir apenas os mais populares.
Lenda – O Negrinho do pastoreio
Personagem mítico do folclore da região dos Pampas - Estado do Rio Grande do Sul, mas que se propagado a vários Estados do sul. Segundo a tradição, o negrinho do pastoreio era um pequeno escravo, maltratado e sacrificado pelo senhor, estancieiro avarento e cruel. Crêem os gaúchos que o Negrinho do Pastoreio faz aparecer coisas perdidas, mas, para que isso se efetive, é necessário acender nas campinas, cotos de velas. Além de bastante difundida no Brasil essa lenda abrange também a área do Pampa uruguaio e argentino.
Conta a lenda que uma vez, um estancieiro muito rico, mas egoísta e mau, que não dava esmola aos pobres, nem ajudava ninguém. Tinha um filho sardento, feio e perverso, e um escravo, ainda menino, preto como o carvão, bonitinho e bondoso, a quem todos chamavam de Negrinho.
O escravo não tinha nome nem padrinho; por isso, se dizia afilhado de Nossa Senhora, que é a madrinha dos que não tem. Mal raiava o dia, o Negrinho montava um cavalo baio e saía para pastorear o rebanho do seu senhor. Trabalhava o dia todo, e quando voltava, à noite, para casa, ainda tinha de sofrer as maldades do filho do estancieiro.
Certo dia, um vizinho disse que o seu cavalo era mais veloz do que o baio do estancieiro e desafiou este para uma corrida. Apostaram uma grande quantia de
Apostaram uma grande quantia de dinheiro. O estancieiro mandou que o Negrinho montasse o seu cavalo. Mas, quase no fim da corrida, quando já estava na frente, o baio se espantou e outro cavalo o venceu.
O estancieiro ficou indignado por ter perdido a aposta e pôs toda a culpa no Negrinho. Chegando em casa, deu no escravo uma surra de chicote até ver o sangue escorrer. E no dia seguinte, pela madrugada, ordenou que ele fosse e pastorear trinta cavalos, durante trinta dias, num lugar muito distante e deserto. Lá chegando, cheio de dores pelo corpo, o escravo começou a chorar, enquanto os cavalos pastavam. Veio a noite escura, apareceram as corujas, e o Negrinho ficou tremendo de pavor. Mas, de repente, pensou na sua madrinha, Nossa Senhora, e então sossegou e dormiu.
Durante a noite, os cavalos se assustaram e fugiram, espalhando-se pelo campo. O Negrinho acordou com o barulho, mas nada pôde fazer, porque a cerração era muito forte. Apareceu, nessa ocasião, o filho do estancieiro que, maldosamente, foi contar ao pai que o Negrinho tinha deixado, de propósito, os cavalos fugirem.
O estancieiro mandou surrar novamente o escravo. E, quando já era noite fechada, ordenou-lhe que fosse procurar os cavalos perdidos. Gemendo e chorando, o Negrinho pensou na sua madrinha, Nossa Senhora, e foi ao oratório da casa, apanhou um coto de vela que estava aceso diante dá imagem e saiu pelo campo.
Por onde o Negrinho passava, a vela ia pingando cera no chão de cada pingo nascia uma nova luz. Em breve, havia tantas luzes que o campo ficou claro como o dia. Os galos começaram a cantar e, então, os cavalos foram aparecendo, um por um... O Negrinho montou no baio e tocou os cavalos até o lugar que o senhor lhe marcara. Gemendo de dores, o Negrinho deitou-se. Neste momento, todas as luzes se apagaram. Morto de cansaço, ele dormiu e sonhou com a Virgem, sua madrinha. Mas, pela madrugada, o filho perverso do estancieiro apareceu, enxotou os cavalos e foi dizer ao pai que o Negrinho tinha feito isso para se vingar.
O estancieiro ficou mais furioso ainda, e mandou surrar o Negrinho novamente. O pequeno escravo não suportando tanta crueldade chamou por Nossa Senhora, soltou um suspiro e pareceu morrer.
Como já era noite e para não gastar enxada fazendo cova, o estancieiro mandou jogar o corpo do menino em um grande formigueiro para que as formigas lhe devorassem a carne e os ossos.
No dia seguinte, o homem voltou ao local para ver o que restava do corpo. Qual não foi seu espanto quando viu, de pé, sobre o formigueiro, vivo e risonho, o Negrinho, tendo ao lado, cheia de luz, Nossa Senhora, sua madrinha! Perto, estava o cavalo baio e o rebanho com os trinta animais. O Negrinho pulou sobre o baio, beijou a mão de Nossa Senhora e tocou o rebanho, a galope.
Correu pela vizinhança a triste notícia da horrível morte do escravo, devorado num formigueiro. E, pouco depois, as pessoas começavam a comentar o novo milagre. Muita gente já vira à noite um rebanho tocado por um negrinho montado num cavalo baio.
E daí por diante, quando alguém perdia alguma coisa, rezava para o Negrinho e ele sai à procura. Mas só entregava o objeto a quem acendesse uma vela cuja luz ele levava ao altar de sua madrinha, Nossa senhora. Até hoje, dizem que quando perdemos alguma coisa devemos pedir ajuda ao Negrinho do Pastoreio e que ele aparece em cima de um cavalo para ajudar.
Lenda – O Lobisomem
O Lobisomem é uma figura fantástica, um misto de lobo com homem. É uma das crendices mais populares no Brasil.
A lenda do Lobisomem é universalmente difundida de longa data entre os povos e indo-europeus. Nos sertões brasileiros, a lenda se apresenta como uma modalidade da tradição portuguesa, para a qual, o fato de alguém se transformar em lobisomem é uma obra de destino cruel.
Alguns acreditam que seja um indivíduo amaldiçoado pelos pais ou pelos padrinhos. Outros acham que é o sétimo filho de um casal.
Geralmente, é um homem magro e muito pálido que não tendo sangue está condenado a morrer se não encontrar um jeito de ficar corado. Vai então sexta-feira à meia – noite a uma encruzilhada, onde tira a roupa e a vira pelo avesso, depois dá sete nós em qualquer parte da roupa, deita-se no chão e roda da esquerda para a direita como um animal. Vira então bicho.
Seu corpo fica coberto de pelos compridos as orelhas crescem, a cara toma a forma de um morcego, as unhas aumentam e viram garras. Corre com os joelhos e cotovelos, os quais, pela manhã estão ensangüentados. Logo que se transforma em bicho, sai à procura de sangue para beber. Cachorro novo, leitãozinho e criança de peito são os preferidos pela pureza do sangue, mas na falta destes, o homem também serve. Por isso, pessoas adultas são atacadas pelo monstro.
Para desencantar o lobisomem, basta qualquer ferimento onde escorra sangue. E ele volta à forma humana e nunca mais vira bicho, enquanto o desencantador viver.
Se desfizermos os sete nós de sua roupa, o lobisomem ficará apara sempre correndo sem parar.
Conta uma história criada pelo povo do sertão que certa vez um sertanejo vinha voltando para casa numa noite de sexta-feira quando foi atacado por um monstro horroroso. Era um bicho preto, do tamanho de um bezerro, com orelha enormes, cheio de pelos, como os olhos de brasa. A luta foi terrível.
O sertanejo que era forte e valente sacou a faca e enfrentou o bicho. Lutou muito até que conseguiu atingir um golpe na fera causando um grande sangramento. O Lobisomem soltou um urro de dor deu um salto e desapareceu no mato.
O sertanejo voltou para casa e apavorado com os acontecimentos e não conseguiu dormir.
Na manhã seguinte, não conseguindo encontrar um seu colega de trabalho saiu à sua procura e foi informado que ele não comparecera ao trabalho porque estava muito doente. O sertanejo foi visitá-lo e o encontrou gemendo e com o pescoço todo ferido.
Lenda - A sedução da Iara
Os índios e os sertanejos acreditam na existência da Iara ou Mãe-d'água. Dizem que é uma mulher muito linda, de pele alva, olhos verdes e cabelos cor de ouro, que vive nos lagos, nos rios e nos igarapés. Ninguém resiste ao encanto da Iara. Quem a vê fica logo atraído pela sua beleza e pelo seu canto mavioso. E acaba sendo arrastado por ela para o fundo das águas. Por isso, os índios, ao cair da tarde, afastam-se dos lagos e dos rios. Eles têm medo de encontrar a Iara e de ficarem dominados pelo seu encanto.
A lenda da Iara às vezes é confundida com a da sereia que é uma ninfa, que, pela mágica suavidade de seu canto, atraia os navegadores para os escolhos. Dizia a lenda que a sereia habitava os rochedos do Litoral da Itália. Com o correr do tempo, o mito sofreu transformações inevitáveis. Inicialmente tinha origem Mediterrânea; porém, com a transplantação da civilização Mediterrânea para o Atlântico, a lenda não poderia sobreviver em forma primitiva, passando as sereias - antes representadas por uma figura metade mulher e metade pássaro - a ser simbolizadas pela forma com que hoje são conhecidas – metade mulher e metade peixe.
Conta-se que vivia há muitos anos, nas margens do rio Amazonas, um filho do tuxaua dos Manaus, chamado Jaraguari. Era um moço belo como o sol e forte como o jaguar. Os outros índios invejavam sua coragem, sua força e sua destreza. As mulheres admiravam sua formosura, sua graça e sua valentia. E os velhos amavam Jaraguari, porque ele os tratava com respeito e carinho.
Jaraguari era alegre e feliz como um pássaro. Mas, E desde um dia, começou a mostrar-se reservado e pensativo. Todas as tardes subia com sua canoa para a ponta do Tarumã, onde permanecia silencioso e solitário até a meia-noite.
Sua mãe, impressionada com a mudança do filho, perguntou-lhe:
- Que pescaria é esta, meu filho, que se prolonga até alta noite? Não tens medo das artes traiçoeiras de Anhangá? Por que vives agora tão triste? Onde está a alegria que animava a tua vida?
Jaraguari ficou silencioso. Depois, respondeu com os olhos muito abertos, como se estivesse vendo uma cena maravilhosa:
- Mãe, eu a vi!... Eu a vi, mãe, nadando entre as flores do igarapé. É linda como a lua nas noites mais claras. Eu a vi, mãe! Seus cabelos têm a cor do ouro e o brilho do sol. Seus olhos são duas pedras verdes. Seu canto é mais belo do que o do irapuru. Eu a vi, mãe...
Ao ouvir as palavras do filho, a velha atirou-se ao chão, gritando, entre lágrimas:
- Foge dessa mulher, meu filho! É a Iara! Ela vai te matar! Foge, meu filho!
O rapaz nada disse e saiu da maloca. No dia seguinte, ao cair da tarde, sua igara deslizava, mansamente, pelo rio, na direção da ponta de Tarumã. Mas, de repente, os índios que pescavam à beira do rio gritaram:
- Corre, gente! Corre, vem ver! Ao longe, via-se a canoa de Jaraguari. E, abraçada ao jovem guerreiro, surgiu uma linda mulher de corpo alvo e de cabelos compridos, cor de ouro. Era a Iara! E, desde então, nunca mais Jaraguari voltou à sua maloca.
Lenda - O coração do Curupira
O Curupira é o deus protetor das matas. A floresta e todos os que nela habitam estão sob sua vigilância. Por isso, antes das grandes tempestades, ouve-se bater nos troncos das árvores. É o curupira verificando se elas podem resistir ao furacão, que se avizinha, para, em caso contrário, avisar os moradores da mata do perigo.
Descrevem o Curupira como um menino de cabelos vermelhos, corpo coberto de pêlos e pés voltados para trás.
O caçador deve ter a prudência de matar apenas o indispensável às suas necessidades. Ai de quem mata por gosto, fazendo estragos inúteis; de quem atira em animais que estão para ter crias; de quem despedaça cruelmente os filhotes! Para todos eles o Curupira é um inimigo terrível! Esses caçadores malvados são perseguidos, ludibriados e martirizados pelo pequenino deus.
Quando não morrem, ficam abobalhados para sempre. Nunca mais podem caçar! Os índios contam muitas histórias a respeito do Curupira. Eis uma delas:
Um dia, o curupira encontrou um caçador, que dormia, cansado, sob uma árvore. Acordou-o e pediu um pedaço do seu coração para matar sua fome. O índio, que havia morto um macaco, deu-lhe um pedaço do coração do animal ao invés de lhe dar do seu. O curupira comeu, gostou e pediu o resto. O caçador atendeu ao seu pedido, mas disse:
-Deves, em paga, me dar um pedaço do teu coração.
O Curupira, certo de que o índio lhe havia dado o seu coração, sem nada sofrer, abriu, com uma faca, o próprio peito e caiu logo morto. O caçador, então, fugiu, correndo para sua maloca. Um ano mais tarde, lembrou-se o índio de que o Curupira tinha os dentes verdes. E teve a idéia de fazer com os mesmos um belo colar. Por isso, voltou à mata, procurou e achou o esqueleto do Curupira. E começou a bater o crânio do mesmo de encontro a uma árvore, para ver se os dentes caíam.
Nesse momento, o Curupira ressuscitou. Agradeceu ao caçador de o ter desencantado e, para recompensá-lo, deu-lhe uma flecha mágica, com a qual ele seria o chefe de sua tribo. Mas o índio cometeu o erro de contar o segredo à sua mulher e, por isso, caiu morto no chão.
Lenda - O Barba Ruiva
- Perto da lagoa de Paranaguá, no Estado do Piauí, morava uma pobre viúva, com três filhas. A mais jovem delas teve um filho. Vaidosa e malvada: resolveu abandonar a criança. Colocou o filho dentro de um tacho de cobre e o atirou dentro da lagoa.
O tacho desceu ao fundo da lagoa, mas foi logo trazido à tona pela Mãe-d'água. Ela amaldiçoou a moça que chorava arrependida, e mergulhou furiosa. As águas foram, então, crescendo, crescendo, até que cobriram todo o vale.
Daí por diante, a lagoa ficou encantada, cheia de luzes e vozes. Ninguém podia morar nas suas margens, porque, durante a noite, subia do fundo das águas um choro de criança nova, como se chamasse a mãe para amamentar.
Com o decorrer dos anos, o choro parou. Mas, de vez em quando, aparece um ser humano que, pela manhã, é um menino; ao meio-dia, um rapaz de barbas ruivas e, à noite, um velho de barbas brancas. Muita gente tem visto esse ser fantástico. Ele foge dos homens quando os avista, mas corre atrás das mulheres quando as descobre. Depois, pula, dentro da lagoa e, desaparece.
Por isso, nenhuma mulher lava roupa, sozinha, à beira da lagoa. Tem medo que apareça o Barba Ruiva. Muitos homens de respeito têm encontrado o filho da Mãe-d'água. E, por isso, ficam meio amalucados durante horas e horas. Mas o Barba Ruiva não ofende ninguém. Cumpre a sua sina nas águas da 1agoa, perseguindo as mulheres e fugindo dos homens. Um dia, será quebrado o seu encanto. Bastará que uma mulher atire em sua cabeça algumas gotas de água benta e as contas de um rosário. Barba Ruiva, que é pagão, ficará cristão.
Até hoje, não apareceu essa mulher corajosa. Por isso, o Barba Ruiva continua encantado nas águas claras da lagoa de Paranaguá.
Lenda - O poder da Caipora
Caipora ou Caapora é o gênio protetor dos animais da floresta. Seu poder não se estende todos os animais. Limita-se aos bichos de couro e chifres: porcos, veados, cutias, pacas, tatus, tamanduás... No Norte e no Nordeste o gênio é do sexo feminino e aparece sob a forma de uma índia pequena e forte, doida por fumo e aguardente. Em outras regiões do Brasil, é um caboclo baixo e reforçado, coberto de pêlos, que surge montado num porco do mato ou caititu. No Sul, o caipora é um homem peludo e agigantado.
O Caipora ou Caapora ainda pode tomar outras formas, mas sua missão é, porém, sempre a mesma: proteger a caça da sanha dos caçadores malvados. Quem mata animais com crueldade ou persegue fêmeas com filhotes é logo castigado pela caipora. Nas sextas-feiras, mesmo com luar, é proibida a caça. Nos dias santos e domingos não se pode também caçar.
Quando os homens infringem as leis da Caipora, ela espanta a caça, surra os cachorros, faz um barulho infernal e persegue, furiosamente, os caçadores, que largam as armas e fogem, espavoridos. Mas os que respeitam a Caipora e levam-lhe fumo e aguardente, podem caçar à vontade. Não devem, porém, atirar em animal com filhote, nem em bicho isolado ou no último do bando.
Os caçadores que não entram em combinação com a Caipora nada conseguem, Perdem o seu tempo e o seu chumbo, pois os animais que caem varados pelas balas, mesmo os mortos, se levantam, ressuscitados, ao contacto do focinho do porco, no qual se acha montada a Caipora. Para alguns sertanejos, a Caipora é alma de índio bravo que morreu pagão,
Contam-se muitas histórias a respeito do poder mágico da caipora. Vejamos uma delas, citada por Câmara Cascudo:
"Depois de uma caçada feliz, no município de Augusto Severo, no Rio Grande do Norte, acamparam os caçadores, à noitinha, para arranjar o jantar. Entre outras peças escolhidas, prepararam um tatu, que se come assado no próprio casco. Puseram o tatu, sem intestinos, atravessa o por uma vareta de espingarda, em cima do fogo. E cada um contava e ouvia episódios do dia.
De repente, montando um "queixada", passou, pelo meio dos homens, a Caipora. Na mesma velocidade com que ia, disse, peremptória: Vambóra, Júão (Vamos embora, João). E João, o tatu, meio assado e sem vísceras, acompanhou-a, como um relâmpago.
Lenda - As diabruras do Saci ou Saci-pererê
Os sertanejos estão certos de que o Saci-pererê existe. É um molequinho perneta, preto e lustroso como piche, de olhos vivos cor de sangue, barrigudinho, com um nariz de socó. Tem a mão furada, orelhas de morcego e uma carapuça vermelha na cabeça. Corre como um raio, aparece e desaparece, cresce e diminui. Quando trepa num barranco, deixa três riscos, sinal de que tem três dedos. Quando vê gente, solta um assobio de furar os ouvidos, põe a língua comprida para fora e deita fumaça pelos olhos.
Mal o sol descamba no horizonte, os sapos pulam de seus esconderijos e os bacuraus surgem voando; ouve-se, às vezes, um assobio agudo e estridente. É o saci-pererê. Começam então as suas diabruras. Se houver, nas proximidades, um cavalo -coitado! - é o primeiro a sofrer as maldades do Saci. Com um laço de cipó, ele pega o pobre animal, salta-lhe na garupa e corre para o pescoço. O cavalo, apavorado, dá pinotes, esperneia, dá coices em vão. O capeta do pretinho finca-lhe os dentes na veia do pescoço e chupa-lhe o sangue até enjoar. No dia seguinte, o animal está magro, abatido, exausto, cabeça pendida, como se tivesse corrido dez léguas sem parar.
Os sertanejos procuram evitar que o cavalo seja atacado pelo Saci, colocando-lhe no pescoço um rosário de capim ou um bentinho. É água na fervura. Não podendo maltratar o animal, o Saci procura azucrinar os homens. Se, tarde da noite, encontra algum viajante, ai dele! Solta-lhe logo no ouvido um assobio de ensurdecer e pula na garupa de montaria fazendo tantas diabruras que o homem não resiste e acaba perdendo os sentidos. Pior será se o viajante quiser reagir. O Saci fica furioso e é capa de matá-lo de cócegas ou de pancada. Outras vezes o Saci é camarada e nem bate, mas derruba o chapéu do viajante, espanta-lhe a montaria, desmancha o freio, arrebenta a cilha, faz a sela escorregar e mil outras molecagens.
Quando entra nas casas, os negros são os que mais padecem. O Saci faz-lhe cócegas e puxa-lhes a coberta, quando estão no melhor sonho ou rasga as saias das negras e, quando os deixa em paz, esconde objetos, espalha a farinha, estraga a massa do pão, faz queimar comidas nas panelas, arranca hortaliças no quintal ou espanta as galinhas no terreiro.
Contudo não é difícil apanhar o Saci, basta um rosário de capim bem manejado, um bentinho ou uma peneira emborcada. Mas o recurso mais forte é rezar o Credo. O Saci dá um assobio estridente, solta fumaça vermelha e desaparece, para nunca mais voltar.
Lenda – A Mula-sem-cabeça
Dizem que, há muito tempo, existia um rei cuja esposa tinha o estranho hábito de passear, à noite, pelo cemitério. O rei ficou desconfiado com esse passeio misterioso e resolveu, certa noite, seguir a esposa. Chegando ao cemitério, deparou com uma cena horrorosa. A rainha estava comendo o cadáver de uma criancinha que tinha morrido na véspera. O rei não se conteve e soltou um grito de espanto. Vendo-se descoberta, a rainha deu um grito ainda maior e transformou-se, no mesmo instante, em mula-sem-cabeça. É assim que alguns sertanejos explicam a origem da primeira mula-sem-cabeça, monstro horrível que persegue os viajantes descuidados. Daí por diante, muitas mulheres de má conduta passaram também a se transformar em mulas-sem-cabeça, nas noites de quinta para sexta-feira. E correm, velozes e furiosas, pelas estradas, até o romper da madrugada.
Os cascos afiados da mula-sem-cabeça dão coices como navalhadas. Os homens e os animais quê encontra pela frente são mortos a patadas. De longe, pode-se ouvir o estrondo do seu galope fantástico. Ecoam pelo espaço os seus relinchos furiosos e o ruído de suas dentadas no freio de aço que leva na boca. Mas ninguém conseguiu ainda ver a sua cabeça. Deve ser invisível aos olhos do homem.
Pela madrugada, ao cantar do galo, a mula-sem-cabeça recolhe-se, cansada, cheia de nódoas de pancadas. Volta então à forma humana. Na sexta-feira seguinte, recomeça a sua jornada macabra. Se nessa ocasião, porém um homem consegue feri-la, de modo que seu sangue corra, quebra-se seu encantamento. Mas, para isso, é preciso muita coragem e valentia.
Um sertanejo destemido esbarrou, certa vez, com uma mula-sem-cabeça. Não recuou. Enfrentou o monstro e empenhou-se numa luta furiosa. Conseguiu, afinal, feri-la com um chuço. Quebrou-se o encantamento e reapareceu a figura humana. Era uma linda moça. Pertencia a uma das famílias mais ricas do lugar. Ela ofereceu ao rapaz muito dinheiro para que o caso não fosse contado a ninguém. O sertanejo, que não era tolo, recebeu dinheiro e prometeu ficar calado. Mas mudou-se para muito longe.
Segundo a tradição, assim são castigadas as mulheres que tiveram relações sexuais com padres; de quinta para sexta feira, cavalgam desesperadas a noite inteira, destruindo o que encontram.
Lenda - O Mistério do Boitatá
O mito do Boitatá parece ter-se originado do fogo-fátuo ou santelmo, pequeno penacho luminoso que aparece nos mastros dos navios, devido à eletricidade, ou à noite, sobre os pântanos e nos cemitérios, e que é apenas a emanação de fosfatos de hidrogênio, produto de decomposição de substâncias animais.
O fogo-fátuo é conhecido em todas as culturas, com variações de país para país. Na Alemanha, por exemplo, é conhecido como a luz-louca, uma lamparina que é carregada por anõezinhos minúsculos e invisíveis. Na Inglaterra, ele é conhecido como "Jack e a lanterna". Esse Jack é um fantasma assustador, porém bem intencionado, que serve de guia para os viajantes que estiverem passando por determinados charcos e pântanos.
Já na França, o fogo de santelmo é conhecido como o "Monge dos banhados", que tem a mesma finalidade de guiar os passantes através dos banhados. O mesmo ocorre em outros paises, como Portugal, Espanha, Itália e outros.
No Brasil, o mito do boitatá vem dos índios. Seu nome significa cobra-de-fogo (boi: cobra; tatá: fogo).
Contam que o Boitatá era uma cobra imensa que dormia sossegada na sua cova. Como o lugar em que vivia fosse muito escuro, ela era obrigada a abrir muito os olhos para enxergar na treva. Por isso, suas pupilas cresceram e ficaram enormes.
Um dia começou a chover sem parar, parecia um novo dilúvio. As águas foram subindo e cobriram as planícies. Os animais correram todos para a montanha, onde se reuniram.
A cobra-grande ou boiguaçu foi obrigada a sair de sua cova. Subiu também para a montanha, E começou a devorar todos os animais que encontrava. Mas só comia os olhos dos bichos. Dentro de sua barriga, os olhos dos animais comidos continuaram a brilhar. O corpo da serpente ficou transparente e luminoso. E seus olhos imensos tornaram-se ainda maiores. Pareciam duas fornalhas acesas. E o boiguaçu virou Boitatá!
Dizem que a cobra foi castigada pela sua malvadeza, obrigada a vigiar eternamente os campos, assombrando os viajantes descuidados. Sua missão é proteger as campinas e relvados contra os incêndios e destruições. Quem encontra o boitatá pode ficar louco, cego ou morrer de medo. Para a gente se livrar do monstro, quando ele surge na nossa frente, basta ficar quieto, de olhos fechados e com a respiração presa. Ele acaba indo embora. Atirar em cima do boitatá um objeto de ferro também dá resultado. Mas se o viajante tiver medo e fugir está perdido. O Boitatá persegue-o, enlouquece-o e queima-o com o fogo de seus olhos.
Geralmente, o Boitatá aparece sob essa forma de serpente com os olhos rutilantes, como dois grandes faróis acesos, mas em certas regiões, porém, o monstro toma a forma de um touro gigantesco com um só olho cintilante na testa.
Segundo a tradição, o Boitatá costumava vagar pelos campos e, aparecia com mais freqüência quando o ar estava pesado, quente. O boitatá corria os campos procurando todo aquele que fazia queimadas sem utilidade, apenas por queimar. Quando ele encontrava alguém que estava fazendo isso, imediatamente corria em sua direção e incendiava a pessoa. Isso, segundo a tradição, provava que o Boitatá era o protetor dos campos.
Existem várias histórias contando de que maneira o boitatá protegia seus domínios.
Uma delas diz que um roceiro, certa vez. Resolvera limpar um descampado ao redor de seu casebre porque o mato estava alto demais. Isso impedia que suas galinhas tivessem um pasto maior pra ciscarem. O roceiro, então, preparou uma tocha e, nessa noite, tocou fogo em um touceirão. Nesse touceirão viviam alguns preás e elas foram queimadas pelo fogo. Seus lamentos foram ouvidos no charco próximo e, de lá, veio. Crepitando e rolando uma enorme tora incandescente.
Os sertanejos do Brasil, quando saem à noite de casa, têm receio de encontrar o Boitatá ou Cobra de fogo - o gênio protetor dos campos, e relvados naturais. Talvez seja, um dos primeiros mitos ecológicos do folclore brasileiro.
Boto
Mito amazônico. É o pai das crianças de paternidade ignorada. Descrito como rapaz bonito, bem vestido, boêmio e ótimo dançarino. Nos bailes, encanta as moças e leva-as para igarapés e afluentes do Amazonas e as engravida. Antes da madrugada, mergulha no rio e se transforma em boto. Chamado também de boto tucuxi.
Cuca
Influenciada pela bruxa de origem européia é uma velha feia que ameaça crianças desobedientes em especial as que não querem dormir à noite.
Matintapereira
Segundo a mitologia Tupi, é uma pequena coruja que canta à noite para anunciar a morte próxima de uma pessoa. Descrevem-na também como mulher grávida que deixa o feto na rede de quem lhe nega fumo para o cachimbo
Grande parte do hoje consideramos brinquedos cumpriu em tempos passados uma outra função relacionada a alguma prática adulta.
Os gregos, por exemplo, aproximavam-se dos seus deuses fazendo o uso dos balanços.
A pipa, pandorga, papagaio ou quadro que ainda hoje são empinadas, têm seus primeiros registros na China, há mais de dois mil anos. Algumas traziam flautas de bambu presas à cauda que sob a ação do vento produzia sons que eram considerados o sopro musical dos deuses. Com formas de animais simbolizavam a fertilidade serviam para desejar sorte e felicidade.
O pião foi utilizado na Inglaterra para expulsar os maus espíritos, nos rituais exorcistas da antiga igreja, devido ao se frenético movimento giratório.
A boneca, então, possui tantas histórias que merece publicações especializadas. Na Grécia, por exemplo, um morto não deveria ser enterrado sem a companhia da família, esta então passou a ser simbolizada por bonecos. Outros povos, por exemplo, utilizavam a boneca pendura no pescoço de grávida, pois, isto permitiria informações sobre o sexo da criança. Com o tempo, foi perdendo seus valores sagrados, e passou a ser usada como enfeite até que, finalmente, se transformou em brinquedo.
Na idade Média, os brinquedos e as brincadeiras eram praticados por adultos e crianças, consideradas na época adultos em miniatura. Só a partir do século XVIII, com as transformações da sociedade a criança passa a desempenhar o seu devido papel no meio social. Surge o faz de conta, que aliado ao fato de as crianças poderem transformar objetos em outras coisas afastando-os de sua função original faz o brinquedo evoluir no sentido a atender suas novas necessidades.
Eis aqui alguns exemplos desses brinquedos e brincadeiras.
Amarelinha | A amarelinha é jogada nos estados Unidos, Rússia, China e Birmânia. O traçado do jogo tem semelhança com os templos antigos. Marelle para os franceses, academia para os portugueses, jogos de odre para os romanos e rayuella para os espanhóis, no Brasil ela recebe outros nomes como maré, pé-pé, sapata e avião. Consta de um desenho no chão, de quadrados seguidos, tendo as palavras céu e inferno em lados oposto e o objetivo e sair do inferno e chegar ao céu sem desrespeitar as regras (errar o pulo ou pisar nas linhas). |
Bola
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É um objeto, geralmente esférico, para ser atirado, batido, chutado, empurrado, carregado, rolado ou arremessado, dependendo do jogo em que está sendo usado. |
As bolas podem ser duras ou macias, ou cheias de ar. Mais de trinta esportes importantes são jogados com a bola. Entre eles estão: futebol, basquete, bolinha de gude1, bocha2 e boliche. A bola surgiu provavelmente, nos tempos primitivos, quando as crianças usavam seixos e outros objetos da natureza, redondos, como brinquedo. Através dos anos, as bolas foram recheadas com crina animal, cortiça, borracha, fios têxteis e barbante. A maioria das bolas é esférica. Algumas exceções são as bolas de futebol americano, de rúgbi e de boliche de campo. Inicialmente as bolas, em cada esporte, Não tinham uma forma ou um tamanho padronizado; quando os esportes se organizaram, foram adotadas bolas de formas e tamanhos uniformes.
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1 Bola de gude É um jogo infantil no qual são utilizadas bolinhas de muitas cores. É um jogo muito antigo. As crianças egípcias e romanas já brincavam com as bolas de gude antes do nascimento de Cristo. A maneira como se joga no Brasil é uma variante do jogo português de berlinde. Além do nome mais comum de gude, o jogo recebeu as denominações locais de: bilosca, birosca, biroca, bolita, burrica, bulica, buraco, ximbra. Não se sabe de que jogo se originou. Através da história o homem tem feito bolinhas de gude de todos os tipos de material. As mais antigas que se conhecem, eram feitas de pedra, de argila, de castanhas silvestres, de madeira polida e de um ossinho do pé de carneiro. Bolinhas de argila foram encontradas em cavernas pré-históricas da Europa, e em túmulos de faraós egípcios e índio americano. 2 Bocha Jogo praticado por duas equipes, através de uma série de bolas, que são jogadas dentro de um retângulo rodeado de tábuas. Cada equipe tem direito de lançar determinado números de bolas procurando colocá-las mais próximas de uma bola neutra (o bolim). De origem italiana, o primeiro campeonato de bocha foi em Gênova em 1951. Logo depois se expandiu em outros países europeus e logo após nas Américas, tornando-se um esporte popular e um pouco conhecido, sendo praticado também com a bola.
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Cama de gato | Brincadeira que consiste em fazer figuras com um barbante entrelaçado entre os dedos da mão. É uma brincadeira antiga praticada no mundo inteiro. Independente de localização, nativos de Nova Zelândia ou tribos africanas, todos os povos criaram figuras idênticas. |
Cata-Vento |
Em alguns lugares é também conhecido com papa-vento. Feito de cartolina ou papel enrolado é um instrumento em forma de dobras, parece simples, mas, há pessoas que encontram dificuldade em fazê-lo. |
Diabolô | É um brinquedo constituído por duas estruturas em cone, unidas nas extremidades mais finas, semelhante a uma ampulheta, além de outra peça independente com duas varetas presas por um cordão. O objetivo e tirar o diabolô do chão equilibrando-o no ar através do cordão, e segurando as duas varetas fazer malabarismos com o brinquedo.
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PETECA |
Brinquedo inventado no Brasil, pelos índios, bem antes da chegada dos portugueses. É feita de penas e palha de milho, um jogo que diverte as pessoas, educando-as, e dando maior equilíbrio.
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Perna de Pau |
São duas varas longas com apoio para os pés e que mesmo antes de se tornarem brinquedos eram utilizadas para diversos fins como. Um texto do século 14 fala do seu uso para atravessar áreas alagadas. Há registro, também de pastores que utilizavam essas altas pernas para transpor moitas e atravessar rios e pântanos durante a vigia do rebanho. Elas eram usadas nas antigas comemorações de carnaval europeu, e corridas de touro, na Espanha, em fins do século XIX.
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Pião | Objeto de madeira tendo na sua extremidade superior um pequeno suporte para se prender a fieira e na inferior um prego. O pião tem outros nomes como finca, ferro, carrapeta, pinhão. É um jogo muito antigo em que o importante é fazê-lo girar próximo a uma marca feita no chão. É um jogo que requer perícia e é um bom exercício para corpo e mente. |
PIPA PAPAGAIO PANDORGA QUADRADO | Brinquedo que consiste em um pedaço de papel colocado sobre uma armação de taquara, vareta ou de madeira leve e que os meninos soltam ao vento, preso a um cordel ou linha grossa. PIPA é uma variedade de papagaio de papel. Elas podem ser planas ou curvas, e até sem varetas – as capuchetas feitas de jornal. Alguns modelos são tradicionais como a arraia,peixinho, lata de óleo, estrela e maranhão, mas as pipas multiformes são insuperáveis em termos de criatividade. Com apenas quatro varetas dispostas duas a duas, vertical e horizontalmente como no jogo da velha é possível criar milhares de formatos diferentes bastando mudar a posição da linha que reveste a armação. |
Jogo das pedrinhas,Cinco marias, CHINCHA.
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Brincadeira de arremessar pequenos objetos, pegando-os antes que cheguem ao chão, é muito antiga e foi conhecida dos povos gregos e romanos. Antigamente, havia cantigas que acompanhavam essas partidas, mas aos poucos, essa tradição se perdeu. Podem ser usadas pedrinhas ou saquinhos de panos cheios de areia ou arroz mais fáceis de serem manuseados. No Brasil era comum a criança os levarem para a escola para se divertirem durante o recreio. O jogo consiste em cumprir seqüência de jogadas em primeiro lugar. Durante a partida quem esbarrar ns outras pedras ou errar, passa a vez ao jogador seguinte. |
A música folclórica é conservada na alma do povo e foi aceita porque teve afinidade espontânea com seu sentir, pensar, agir, e reagir. Nasceu do povo e é para ele que se destina.
A música folclórica pode ou não ter autor conhecido. Ela participa das emoções de cada indivíduo e do senso de coletivo. Ela está vivamente presente e pode ser facilmente observada em jogos infantis, nos folguedos nos cantos ritualísticos, nos ritos de morte, nas danças e nos bailados. Música Folclórica, de alegria ou dor, manifesta-se em tudo que se canta.
Sebastião quando cantaO padre deixa a igreja,O valentão deixa as armasPor mais valente que seja,Os namorados se alegramCorre a noiva abraça e beija
| Sebastião quando cantaO mundo suspira e gemeO oceano agitaCorre o vapor perde o lemeDepressa se forma o tempoCai curisco, a terra treme.
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Zé Euzébio quando cantaTreme o Sul e abala o NorteSolta bomba envenenadaVomitando fogo forteConversa com Deus no céuJoga cangapé na morte.
| Zé Euzébio quando cantaO mundo geme e suspiraQuebra muro e rompe serraFaz coisa que se admira.Faz proezas no repenteQue até parece mentira
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As cantigas de roda encantaram antigas gerações e crianças de todas as idades brincaram cantando e executando movimentos dessas nas rodas cantadas. A seguir colocamos a letras que foram selecionadas entre as mais populares.
Ciranda, Cirandinha
Ciranda, Cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar.
O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou.
Por isso, dona Ciranda,
Entre dentro dessa roda.
Diga um verso bem bonito,
Diga adeus e vá-se embora.
Quem me dera, quem me dera,
Um cavalinho de vento,
Para dar um galopinho,
Onde esta meu pensamento
Nesta Rua
Nesta rua, nesta rua, tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão
Dentro dele, dentro dele, mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração.
Se eu roubei, se eu roubei teu coração,
Tu roubaste, tu roubaste o meu também.
Se eu roubei, se eu roubei teu coração,
É porque, é porque te quero bem.
Se esta rua, se esta rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante,
Para o meu, para o meu amor passar.
Samba Lelê
Samba Lelê tá doente
Tá com a cabeça quebrada.
Samba Lelê precisava
É de umas boas lambadas.
Samba, Samba, Samba Lelê!
Samba, Samba, Samba Lalá!
Samba, Samba, Samba Lelê!
Samba na barra da saia, Lalá.
Ó moreninha bonita
Aonde é que tu moras?
Moro na beira da praia
Onde os peixinhos namoram.
Ó moreninha bonita
Como é que se namora?
Põe o lencinho no bolso
Deixa a pontinha de fora.
Fonte Do Itororó
Fui no Itororó
Beber água e não achei
Encontrei bela morena
Que no Itororó deixei
Aproveite minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada
Oh! Mariazinha
Oh! Mariazinha
Entrarás na roda
E ficarás sozinha
Sozinha eu não fico
Nem hei de ficar
Você vem comigo
Para ser meu par.
Atirei o Pau no Gato
Atirei o pau no gato – to,
Mas o gato – to, não morreu, reu, reu
Dona Chica – cá admirou-se- sê do berrô,
Do berro que o gato deu,
Miau!
Pai Francisco
Pai Francisco entrou na roda
Tocando seu violão
Pá, rá, rá, pá, pá
Vem de lá seu delegado
Pai Francisco foi pra prisão.
Como ele vem
Todo requebrado
Parece um boneco
Desengonçado.
O Cravo e a Rosa
O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada,
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente.
A rosa foi visitar.
O cravo teve um desmaio.
A rosa pôs-se a chorar.
Terezinha de Jesus
Terezinha de Jesus
De uma queda foi ao chão.
Acudiram três cavaleiros.
Todos os três chapéu na mão.
O primeiro foi seu pai,
O segundo, seu irmão.
O terceiro foi aquele
Que a Tereza deu a mão.
Da laranja eu quero um gomo,
E da lima um pedaço.
Da menina mais bonita,
Quero um beijo e um abraço.
Pirulito Que Bate, Bate
Pirulito que bate, bate
Pirulito que já bateu.
Quem gosta de mim é ela.
Quem gosta dela sou eu.
Pirulito que bate, bate
Pirulito que já bateu.
A menina que eu gostava,
Não gostava como eu.
Ciranda Cirandinha II
Ciranda, Cirandinha
O que era doce se acabou
Nosso amor que era tão grande
Que nem vidro se quebrou
Uma volta, volta e meia
Um sorriso nos ligou
Terminou a Cirandinha
Uma lágrima brilhou
Acorda criança
Um dia lindo vai passar
É sol, primavera
Céu azul, verde do mar
O inverno está longe
Enxugue os olhos
Vem cantar
Vem, vem meu amor
Nunca mais vamos chorar.
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Muitos dos instrumentos que conhecemos surgiram do uso popular nas músicas folclóricas, folguedos e festa populares, como por exemplo:
Agogô:
Instrumento de percussão, constituído de duas campânulas de ferro, percutidas por uma baqueta de metal. O agogô corruptela de akoko, relógio ou tempo (hora), em nagô, é sempre quase um pedaço de ferro qualquer, percutido por outro menor. E a explicação está em que, em nagô, agogô, significa ainda por extensão, qualquer som metálico ou qualquer instrumento metálico que produza som.
Berimbau ou Arco:
Instrumento de uma corda dedilhada ou percutida com um bastão fino, presa nas extremidades de uma vara flexível formando um arco. A caixa de ressonância pode ser uma cabaça cuja abertura é encostada contra a barriga dos instrumentistas. A corda é feita de um tendão de um animal da África. O tocador segura o arco com a mão esquerda na ponta em que está fixada a cabaça em posição vertical, de modo em que a cabaça se apóie contra o peito. Chamam-na também de: Canedo, Gora, Janga, etc.
Caixa:
Instrumento de percussão de madeira ou metal, fechado nas duas extremidades por membranas, é munida de bordões na membrana inferior. É usada em orquestras e em bandas militares. Há vários tipos de caixa: caixa acústica, caixa de guerra, caixa de música, etc.
Candongueiro:
Tambor pequeno usado no jongo
Chocalho:
Instrumento de percussão; choque de dois corpos duros, em que envolve o outro. Outros nomes: Guizo, Sino, etc.
Cuíca ou Puita:
Instrumento de percussão, tambor de fricção de origem africana conta de um cilindro oco, tendo por cima uma pele esticada ao meio da qual pela parte interna se prende uma haste de pau ou fita de couro, que se friccionando com a mão molhada produz um som rouco.
Maracá:
Instrumento de percussão de índios falando o idioma Guarani. É feito com frutas de casca dura ou pedrinhas. É um instrumento sagrado de uso especial de feiticeiros
Marimbas:
Instrumento de percussão de origem africana, traves e arcos de madeira sobre os quais são apoiadas teclas de madeira e cabaças como caixa de ressonância, um para cada tecla; a marimba é percutida com vaquetas. O mesmo que berimbau. Instrumento de dedilhação muito rudimentar. Os berimbaus de comércio são de ferro em geral, lâmina pequena em forma de lira com uma lingüeta que sai da curva, vai terminar na mesma altura das pontas paralelas da lâmina. Existem menores e tocados com a boca.
Matraca:
Instrumento de percussão do princípio construtivo do reco-reco. Consiste basicamente numa lâmina de madeira relar sobre outra, esta dentada. Um pedaço de prancha de madeira dura de doze polegadas de comprimento e seis de largura com uma abertura oblonga na extremidade superior para os dedos assegurarem.
Pandeiro:
Instrumento de percussão constituído por um arco de madeira, com soalhas rodelas de metal e uma das bases recobertas ou não por uma pele. Pode ser agitado ou batido com umas das mãos no aro e as soalhas, se chocando contra o aro produzindo som.
Rabeca:
E como o violino. Instrumento de cordas esfregadas, o mais agudo da família que compreende ainda a viola, violoncelo, contra baixo. Tem quatro cordas, e composto de duas partes principais: o braço e a caixa de ressonância, tendo o formato de oito.
Reco-Reco:
Instrumento de percussão, na sua forma mais conhecida consiste de um pedaço de bambu no qual se abrem estrias transversais e que se faz soar passando sobre elas uma varinha. Produz um ruído rascante e intermitente.
Surdo:
Instrumento de percussão, tambor pequeno da família dos atabaques.
Tarol:
Instrumento de percussão, tambor pequeno.
Tamborim:
Instrumento de percussão. Tambor pequeno, usado nas danças cantadas. Um pandeiro pequeno quadrado, aro de metal recoberto de pele em uma das bordas com vaqueta de bambu e indispensável na batucada e samba.
Viola:
Instrumento de cordas dedilhadas, semelhante na forma e na forma e na sonoridade ao violão. Constituído por uma forma de oito, e um braço dividido em trastes em cuja extremidade as cordas são fixadas e afinadas por cravelhas. As cordas podem ser de dez, doze e quatorze.
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A maioria das festas populares brasileiras está vinculada ao calendário religioso nela se misturam aspectos sagrados e profanos. Dentre as que ocorrem anualmente por todo o Brasil, destacamos algumas:
AUTO DE NATAL: e uma representação simbólica do nascimento de Cristo no estilo dos autos ibéricos da Idade Média que eram montados nas igrejas. A mais conhecida acontece no Rio de Janeiro, nos Arcos da Lapa, durante o mês de dezembro.
BOM JESUS DOS NAVEGANTES: é realizada em Salvador (BA), no primeiro dia do ano. Uma embarcação carregando a imagem de Cristo, toda ornamentada, cruza a baia de todos os Santos acompanha de perto por centenas de outras embarcações.
CAVALHADA: São grandes encenações representado as lutas entre os mouros e cristãos. De um lado, 12 cavaleiros vestidos de azul representando os mouros, do outro mais doze vestidos de vermelho caracterizando os cristãos. O conflito acirrado com raptos, mortes, embaixadas e resgates termina com a vitória dos cristãos e a conversão dos mouros. A cavalhada de São Luis do Paraitinga é uma das mais tradicionais do estado de São Paulo. Quando não há encenação uma série de jogos eqüestres é organizada.
CÍRIO DE NAZARÉ: Procissão realizada desde 1793 e, m Belém (PA) no segundo domingo de outubro. A origem da celebração é um “milagre” ocorrido no início do século XVIII quando uma imagem em madeira de N.S. De Nazaré desaparece e, dias depois, milagrosamente reaparece no mesmo lugar. Para os Paraenses essa festa equivale ao Natal. Eles trocam presentes, preparam ceia com pratos típicos e os fiéis comparecem para pedir graças ou pagar as alcançadas.
CORPUS CHRISTI: São cerimônias religiosas com missas e procissões onde o corpo de Cristo é celebrado. Em algumas regiões do Brasil as ruas por onde passa a procissão são, geralmente, ornamentadas com flores, plantas, folhagens, serragem, sal, pó de café, areia, formando símbolos usados na liturgia. As cidades de Florianópolis (SC), Matão, Ibitinga, S. Manoel (SP): Cabo Frio e Petrópolis (RJ), se destacam por ornamentações esmeradas. É feriado nacional.
DRAMA DA PAIXÃO: é a representação da morte de Cristo, na Semana Santa quando a maioria das cidades brasileiras realiza procissões que lembram os últimos dias de Cristo na Terra e a sua ressurreição no domingo de Páscoa. Na cidade de BREJO da Madre de Deus (PE), na cidade-teatro de Nova Jerusalém quinhentos atores revivem anualmente o drama da Paixão, com diferentes encenações.
FESTA DA PENHA: no Rio de Janeiro (RJ), acontece no largo da Penha além da procissão no último domingo do mês, os festejos incluem inúmeras atrações populares;
FESTA DE IEMANJÁ: realizada na madrugada do dia primeiro do ano nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e no dia 2 de fevereiro em Salvador (BA). São oferecidas flores e outras oferendas a Iemanjá (Janaína) principal orixá - divindade do culto africano – feminino, mãe de Xangô, Iansã e Oxossi, considerada a rainha das águas e sereia do mar.
FESTA DE NOSSA SENHORA DE AQUIROPITA: é uma festa realizada pela colônia italiana descendente dos imigrantes da Calábria e acontece na principal rua do bairro a Bela Vista em São Paulo (SP) desde o início do século XX.
FESTA DE REIS ou FOLIA DE REIS: é um auto popular natalino de evocação da visita dos reis magos ao menino Jesus com apresentações de danças como o Terno de Reis, o rancho e o bumba-meu-boi. Os foliões fazem paradas em casas previamente escolhidas, para cantorias em troca de comida e bebida.
FESTA DE SAN GENARO: é realizada em São Paulo (SP) em homenagem ao santo padroeiro do tradicional bairro da colônia italiana, Mooca; além do aspecto religioso, com procissão e missa, são montadas barraquinhas na rua com comidas, música e dança típica italiana.
FESTA DE SÃO BENEDITO: em Poços de Calda (MG), é alusiva à integração do negro no Brasil, na qual grupos de Congadas carregam bandeiras de santos protetores dos negros; A Congada, congos ou congado, também, é representada em outros estados. A orquestra se compõe de zabumbas, Tarol, atabaques, reco-reco, ganzás, viola, violões e cavaquinhos. A parte dramática constitui a embaixada, divida em dois grupos: os cristãos liderados por Carlos Magno, e os mouros chefiados por Ferrabrás. Eles marcham, cantam e lutam com espadas, imitando uma guerra que termina com a derrota dos mouros.
FESTA DO BOMFIM: acontece a partir da segunda quinta-feira após do dia de Reis (6 de janeiro) e se prolonga até o domingo, na cidade de Salvador (BA) onde os fiéis lavam as escadarias da igreja do Senhor do Bonfim que no sincretismo afro-cristão corresponde a Oxalá, o maior dos orixás, filho de Olorum ente supremo da mitologia ioruba.
FESTA DO DIVINO: é um misto manifestação profana e religiosa, estabelecida em Portugal pela rainha Isabel, século XIV e chega a Parati(RJ) dois séculos depois. Na data comemora-se o "Boi do Divino" com distribuição de comida à população mais pobre. Em Diamantina (MG), é uma das festas religiosas mais tradicionais do estado comemorada com alvoradas, missas e fogos onde a bandeira do Divino recolhe contribuições para a festa. Em Alcântara (MA), os participantes representam personagens do Brasil colonial e, pela tradição, o imperador prende alguém antes da festa, acusando-o de provocar desordens. Em vários municípios da Bahia, as comemorações se estendem por dez dias, em fins de maio, com desfecho em pentecostes. São sempre cheias de pompa e grandiosidade e assumem peculiaridades regionais, mas nunca pode faltar o levantamento do mastro, ricamente ornamentado e as guloseimas símbolo do Divino – a fartura.
FESTAS JUNINAS: Acontecem durante o mês de junho em praticamente todo o Brasil. Com muita comida típica, fogos e danças (Quadrilha) são comemorações consagradas a Santo Antonio (dia 19), São João (dia 23) e São Pedro (dia 29). As maiores festas são realizadas no Nordeste brasileiro, onde o dia de São João costuma ser feriado.
PÁSCOA: No Brasil, a tradição do coelho e dos ovos de Páscoa data do início do século XX. Chegou ao país através dos imigrantes alemães em 1913. Os ovos são símbolos pascais inspirados no costume chinês de colorir os ovos de pata simbolizando a vida que se origina deles, mas diversos países europeus também fabricam ovos de chocolate na Páscoa desde 1834. O coelho, da mesma época, tem origem anglo-saxônica e simboliza a fecundidade.
PROCISSÃO MARÍTIMA: Angra dos Reis (RJ), mais de seiscentas embarcações saúdam o Ano Novo. Acontece em primeiro de JANEIRO.
RODEIOS E VAQUEJADAS: São provas que mostram a habilidade dos peões e vaqueiros na lida como cavalo e o gado. Os rodeios com estilo americano tornam-se mais populares a cada ano especialmente no interior paulista. Elas têm origem das comitivas de boiadeiros levando o gado para corte ou invernada. A Maior e mais antiga é a FESTA DO PEÃO BOIADEIRO que acontece em Barretos (SP); as homenagens ao boiadeiro coincidem com as festas de aniversário da cidade, com a realização de provas eqüestres e apresentações folclóricas; VAQUEJADAS são competições onde os participantes competem em duplas para apartar e marcar o gado. A cada rês dominada o público comemora com gritos e fogos. A mais famosa vaquejada acontece na cidade de Orós (CE).
ROMARIAS: É bastante comum quando as pessoas não conseguem algo racionalmente, buscarem ajuda sobrenatural para a realização de seus intentos e procuram milagres de determinadas entidades como os santos. Por isso encontramos diversos objetos, os "ex-votos" que são oferecidos como forma de retribuição por essa ajuda externa e miraculosa. Eles são encontrados tanto nas cruzes e capelas das estradas quanto nas salas de Milagres dos grandes templos urbanos.
Ex-voto é, portanto, um quadro, imagem, desenho, escultura, fotografia, peça de roupas, jóias, fita, mecha de cabelo, etc que se oferecem e se expõem nas capelas, igrejas como pagamento de uma graça alcançada. O ex-voto também é popularmente chamado de promessa.
As promessas podem ser as mais variadas e inusitadas, envolvem sacrifício e, muitas vezes, vão além do objeto prometido como, por exemplo, carregar uma cruz por uma longa distância, subir escadas de joelhos, colocar o nome do santo milagroso no filho que vai nascer ou mesmo fazer jejum ou algum tipo de abstinência de determinado alimento.
Quem não se lembra de apelar para São Longuinho, bastante popularizado no Brasil, e que costuma ser invocado como ajuda na procura de objetos perdidos, nos seguintes termos; “Meu São Longuinho, se eu achar o que perdi, dou três saltos, três gritos e três assobios", ou mesmo, apelar para São Lino e São Vitor que têm o mesmo poder.
Mas um dos jeitos mais comuns de cumprir uma “promessa”, pedir uma graça ou depositar o ex-voto é participar de romarias. Elas acontecem a pé, cavalo, moto, charrete ou ônibus fretado e representam um traço bastante forte da cultura tradicional paulista. São Paulo (SP) é o centro dessa tradição, com três cidades-santuário: Aparecida, Pirapora e Iguape. Outra cidade de grande enfoque de romeiros é Juazeiro do Norte (CE) com a Romaria do Padre Cícero considerado santo milagreiro pela população regional apesar de ter sido suspenso por heresia.
As Romarias a cavalo são consideradas as mais organizadas e complexas chegando a reunir mais de 1500 cavaleiros.
SEMANA DA INCONFIDÊNCIA: em Ouro Preto (MG), a cidade é elevada simbolicamente a capital do estado e transforma-se numa grande festa, com apresentações de orquestras, corais e bandas, além de atividades esportivas.
CARNAVAL: É maior manifestação da cultura popular brasileira ao lado do futebol. É um misto folguedo, festa e espetáculo que envolve arte e folclore. Surgiu com o entrudo, trazido ao Brasil pelos portugueses no século XVII que era uma forma agressiva de brincar. Entrudo é o nome do recipiente de cera que continha água de cheiro nem sempre agradável que as pessoas jogavam umas nas outras que às vezes eram misturadas com farinha ou cal. Com o passar dos anos, a água foi substituída pela serpentina, o confete e durante algum tempo, pelo lança-perfume proibido desde a década de 1960, mas algumas cidades brasileiras ainda mantêm a tradição desses banhos. Com o tempo o povo se organizou das mais diversas formas para brincar o carnaval. Surgem os CORDÕES, os RANCHOS, os BLOCOS, os GRANDES CLUBES OU GRANDES SOCIEDADES CARNAVALESCAS, os CLUBES DE FREVO, as BANDAS, os TRIOS ELÉTRICOS, os AFOXÉS E as ESCOLAS DE SAMBA.
Em Recife e Olinda, cidades de Pernambuco, também há o predomínio do carnaval de rua. Existem grupos organizados que dançam o Maracatu, manifestação típica da região, mas a principal contribuição pernambucana para o carnaval é o frevo uma dança popular com música ligeira, freneticamente executada e barulhenta que dá a idéia de fervura e que ainda dançado por multidões pelas ruas da cidade. O frevo surgiu das acrobacias e habilidade dos capoeiristas em camuflar seus golpes em passos para intimidar os grupos inimigos.
Geralmente é caracterizada pela individualidade na exibição dos passos. Os principais passos são: dobradiça, tesoura, ferrolho, parafuso e pernadas. Os mais famosos grupos de frevo são o Pás Douradas e o Vassourinhas.
Na Bahia o Carnaval é brincado na rua principalmente em Salvador, a capital, onde os foliões dançam pelas ruas, 24 horas por dia, atrás dos trios elétricos que são os caminhões com cantores, instrumentistas e um poderoso equipamento de som executando frevos e músicas variadas. O carnaval baiano tem ainda muitos blocos e ranchos que brincam ao som de ritmos afro-brasileiros como os afoxés ou ranchos negros (Filhos de Gandhi e Badauê) e os blocos de índio e afro (Olodum, Apaches do Tororó, ileaie, Male Balê. Olorum Babami).
ESCOLAS DE SAMBA
São a maior atração do carnaval carioca e tiveram origem nos blocos. Com o tempo, a expressão bloco carnavalesco foi sendo substituída por escola de samba, denominação que é motivo de controvérsias e muita discussão.
A partir dos anos 50 as escolas passaram a ser mais bem organizadas e estruturadas. Essa estrutura pode ser assim resumida:
COMISSÃO DE FRENTE - grupo de sambistas (de dez a quinze) que representam a diretoria da escola e apresentam a escola na avenida.
CARRO ABRE ALAS - carro alegórico que pede passagem e traz o nome do enredo.
MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA – casal formado por passistas, eles são anfitriões da escola, com a incumbência de mostrar e proteger o estandarte da escola e saudar o público;
ALA DOS COMPOSITORES - comanda a "puxado" do samba e são eles que compõe a música e a letra do Samba Enredo que conta o enredo escolhido pela escola geralmente com temas variados integrados ao cotidiano nacional.
ALAS - são os componentes agrupados; uma ala tradicional é a das baianas; no regulamento do Carnaval de 1985, a ala das crianças tornou-se obrigatória. As Alas têm a incumbência de desfilar sem espaços vazios entre elas, carregam alegorias e adereços - enfeites que levam na mão ou na fantasia, com figurações representando o Samba Enredo.
DESTAQUES - aparecem em meio às alas e geralmente são pessoas conhecidas ou importantes personagens do enredo e ostentam geralmente as fantasias mais suntuosas.
GRUPO DE SHOW - grupo de passistas que dão shows isolados com passos fantásticos e instrumentos.
PASSISTAS ISOLADOS - são os que "dizem no pé" de acordo com sua criação.
BATERIA - formada por instrumentos de percussão (são proibidos os de sopro), sustenta a cadência para o canto e a dança.
HARMONIA - grupo de diretores da escola que cuida da direção do desfile percorrendo a avenida e cuidando do samba cantado com o samba tocado.
Escolas de Samba do Rio de Janeiro
Grêmio Recreativo Escola de Samba da Portela, Estação Primeira de Mangueira, Unidos da Vila Isabel, Império Serrano, Beija-flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Estácio de Sá, Mocidade Independente de Padre Miguel ente outras.
Escolas de Samba de São Paulo
Rosa de Ouro, Vai-vai, Camisa Verde e Branco, Gaviões, Nenê da Vila Matilde, X-9 Paulistana, Unidos da Vila Maria entre outras.
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São objetos aos quais se atribui poder sobrenatural e que usados para proteção. Os mais comuns são:
Ferradura: Amuleto de felicidade que atrai sorte. Só é valiosa quando encontrada.Deve ser pregado no alto da porta, do lado de dentro. Conta a história que um ferreiro foi procurado pelo diabo para que lhe consertasse o sapato. O homem, reconhecendo-o, amarrou-o no muro e tratou-o com tanta violência que o Satanás suplicou, aos berros, misericórdia. O homem o liberou perante a promessa de que ele nunca mais entraria numa casa que tivesse uma ferradura na porta.
Figa: contra mau olhado. A figa latina é a mão humana, em que o dedo polegar está colocado entre o indicador e o médio. É uma representação do ato sexual, em que polegar é o órgão masculino, e o indicador e o médio, o triângulo feminino. O símbolo da reprodução anula influências adversas a vida.
Trevode quatro folhas. Simboliza a sorte. A folha por ser difícil de ser encontrada na natureza traz sorte para que a encontrar. Guarda-la na carteira atrai dinheiro, além da sorte. Presentear uma pessoa com um trevo pode lhe dar sorte, mas comprar um para si mesmo não tem o mesmo valor.
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A felicidade é algo que se multiplica quando se divide. A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros. A maior atração de uma cidade é a qualidade de vida de seus moradores. A mais alta das torres começa no solo. A mais bela ponte construída no planeta é a distancia entre um olhar e outro. A palavra é prata, o silêncio é ouro. Ao pobre não prometa e ao rico não deva. A terra não tem sede de sangue dos soldados, e sim do suor dos homens.”“. Amor não é um detalhe, nem passatempo. Ele é o essencial e dá vida a todos os momentos. Amor que volta é doçura, amor que parte é saudade. Antes de começar o trabalho de mudar o mundo, dê três voltas dentro de sua casa. Antes que o mal cresça, corte-lhe a cabeça. Aquele que não sabe e pensa que sabe, é um tolo: Fuja dele. Aquele que sabe e pensa que não sabe, está dormindo: Acorde-o. Aquele que não sabe e sabe que não sabe, é humilde: Guie-o. Aquele que sabe e sabe que sabe, é um mestre: Siga-o. Cada dia ensina algo ao dia seguinte. Conduzo, não sou conduzido. Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida. Deus nunca fechou uma porta que não abrisse outra. É nas crises que surgem as grandes idéias. Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe. Mais vale um covarde vivo, do que um valente morto. Mais vale uma pomba na mão do que duas voando. Mantenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda. Meus sentimentos são o que de mais original existe em mim mesmo. Muitas vezes a língua quebrou o nariz. Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem! O amor é um sonho, e o casamento um despertador. O bem que se faz num dia, é semente de felicidade para o dia seguinte. O medo nos mantém vivos. O pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade; o otimista, a oportunidade em cada dificuldade. O preguiçoso considera o trabalho um castigo; o sensato, como uma bênção. Os anos pouco têm a ver com a idade. Há pessoas velhas aos 16 anos e outros infantis aos 65. Os ignorantes, que acham que sabem tudo e se privam de um dos maiores prazeres da vida: aprender. Para aprender, crescer e melhorar é preciso compreender, sentir e querer. Para que tanto orgulho se o que nos espera é a morte. Patriota não é quem canta o hino nacional e faz continência à bandeira. Patriota é quem respeita e promove o homem, que é a pátria. Pouco se aprende com a vitória, mas muito com a derrota. Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio. Quando o dinheiro fala, a verdade cala. Quem cala consente. Quem dá aos pobres empresta a Deus. Quem dá e torna a tirar ao inferno vai parar. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Quem queimou a língua nunca esquece de soprar a sopa. Quem sabe sorrir, sabe viver. Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho. Reivindique seus direitos, não com as armas de ódio e da violência, mas sim com as do entendimento e do amor. Sair de si, ir ao encontro do outro. Eis um ato corajoso! Saudade é aquilo que fica daquilo que não ficou. Se não tivéssemos defeitos não sentiríamos tanto prazer em reparar defeitos alheios. Se teus esforços forem vistos com indiferença, não desanime, também o sol ao nascer dá um espetáculo e mesmo assim a maioria da platéia continua dormindo. Seja paciente o suficiente para viver um dia de cada vez deixando o ontem para trás e o amanhã até que chegue. Temos uma boca e dois ouvidos e jamais nos comportamos proporcionalmente. Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos. Viva a vida e que a morte seja bem vinda quando ela chegar. |
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É quase impossível encontrar alguém que não tem ou já teve alguma superstição. Por incrível que pareça existem pessoas que não põe os pés para fora de casa sem cumprir um rigoroso ritual supersticioso. Citaremos agora algumas das crenças mais comuns.
Colocar vassoura atrás da porta faz com que uma visita inconveniente vá embora.
Abrir guarda-chuva dentro de casa faz o teto desabar.
Derrubar sal significa que perdas estão por acontecer.
Varrer o pé de alguém faz com que ele não se case.
Deixar a bolsa no chão faz perder dinheiro.
Chinelo virado para baixo faz a mãe morrer.
Passar por debaixo de uma escada dá azar.
Brincar com miolo de pão ou sobra de arroz à mesa traz muitas despesas.
Não se deve presentear a pessoa amada com perfume, pois o perfume acaba e o amor vai embora.
Cachorro uivando é sinal de morte.
Deve-se entrar no ano novo pulando sete ondas no mar, fazendo sete pedidos; ao retornar da praia não dar as costas ao mar, caso contrário os pedidos não se realizarão.
Poção Mágica para viver um grande amor - Uma pitada de gengibre e uma de canela em pó, um cravo e um pouco de chá preto ou mate. Preparar o chá com uma xícara de água quente e adicionar os outros ingredientes. Tomar em um lugar calmo mentalizando com muita fé você vai conseguir um grande amor. Depois diga sete vezes: “Tudo o que eu preciso, tudo o que eu quero, vem para mim na hora certa, no momento certo, porque eu sou um perfeito canal de Deus”.
Para conseguir um amor – Separe um fio de seu próprio cabelo e outro da pessoa pela qual o seu coração balança. Enrole os dois formando um só fio e dê três nós. Guarde-os num papel de seda como um amuleto
Para ter fidelidade no casamento - Inicie numa sexta-feira de Lua Nova, após as nove horas da noite. Pegue uma estrela-do-mar e durante sete noites seguidas, segure-a com a mão direta sobre o coração, enquanto escolhe uma estrela no céu, a quem fará um pedido para que seu(sua) parceiro(a) lhe seja sempre fiel. Quando terminar a simpatia, na sétima noite, pegue a estrela do mar e coloque-a dentro do colchão do casal, no lado em que dorme a pessoa amada. Só faça esta simpatia uma vez.
Para doenças nos olhos - Pegue um pedaço de tecido amarelo, suficiente para fazer uma venda para você, amarre-o durante o dia sobre os olhos de uma imagem de Santa Luzia. Quando você for dormir, retire a venda da santa e coloque em você mesmo(a). Repita por três dias seguidos, depois queime a venda.
Para dor de cabeça – Um dos preparados mais utilizados na cura desse mal são feitos com as cascas de amendoim, preparadas da seguinte forma: No momento em que a dor se manifestar, a pessoa deverá retirar sete fios de seus próprios cabelos. Dois de cada têmpora, um da testa, um do alto da cabeça e um da nuca. Depois, enrolá-los e colocá-los dentro de uma casca de amendoim sem as sementes, fechando-os. Enrolar uma linha preta em toda a extensão da casca, cobrindo-a por completo, como se fosse um casulo. Após isso, enterrá-la num local seco e ensolarado. Quando a dor ameaçar se manifestar, vá até lá e pise com força sete vezes no local, usando o calcanhar direito.
Para encontrar alguém inteligente - A partir do dia do seu aniversário, coloque a pedra 1-2 de dominó dentro de uma Bíblia, na página inicial do Livro dos Provérbios. Diariamente, antes de dormir, leia um dos provérbios. Vá avançando a pedra, à medida que avança nas páginas. Quando tiver lido todos os provérbios, retire a pedra, embrulhe-a com papel de presente, arremate com uma fita vermelha, e guarde numa caixa ou gaveta de madeira. Quando encontrar a pessoa desejada, desmanche a simpatia e lave a pedra em água corrente.
Para fazer fortuna - existe uma simpatia antiga, que deve ser feita por quem está iniciando seus negócios. É simples. Inicie na primeira noite de Lua Cheia, pegue uma moeda de qualquer valor e enterre-a num local que só você conheça e onde não haja possibilidade de ser desenterrada acidentalmente. No mês seguinte, repita, enterrando mais uma moeda no mesmo local, ao lado da outra. Repetir a operação por sete meses seguidos. Quando já tiver enterrado sete moedas, espere pela próxima Lua Cheia e, na primeira noite, retorne ao local, desenterre as moedas, lave-as em água corrente e coloque-as num saquinho de feltro, veludo ou seda verde, lacrando-o. Deixe o saquinho em seu local de trabalho, mas onde não fique à vista, sempre dentro de um objeto de madeira. Será o talismã que lhe trará a fortuna a partir do sétimo ano de sua atividade ou comércio
Para conseguir um emprego – Copie na contracapa de sua Carteira Profissional o trecho da Bíblia de Gênesis 3, 19:"No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste formado:porque és pó e ao pó retornarás”.Sempre que for pedir um emprego, antes de preencher uma ficha ou fazer uma entrevista, leia o texto acima três vezes, com fé em Deus, depois bata o pé direito no chão com firmeza.
Para acabar com a celulite - Quem deseja manter um corpo firme e durinho, sem as marcas terríveis da celulite, deve pegar uma fotografia sua, de corpo inteiro e sorrindo, colocá-la numa moldura feita com galhos de roseira. Sempre na Lua Cheia, examine a foto. Caso ela tenha enrugado, estique-a de novo, de forma a mantê-la sempre lisa. Nota: A madeira da roseira era tida como mágica pelos gnomos e duendes da Irlanda e países vizinhos. Tanto é que suas bengalas eram feitas com essa madeira e em seus cachimbos usavam nós de roseira pela sua resistência e poder.
Para fortalecer os cabelos - Corte seus cabelos na primeira sexta-feira da Lua Crescente, tirando apenas o comprimento de sua unha do dedo mínimo esquerdo, no pé da unha. Recolha um pouco desses cabelos e espalhe-os num gramado bem verde e viçoso.
Para tirar verruga 1 - Diariamente, pegue uma gota de seiva da planta chamada bico-de-papagaio, pingando-a sobre a verruga. Repita diariamente, até a verruga secar e desaparecer.
Para tirar verruga 2 - Na sexta-feira da Lua Minguante, corte um pedaço de caule de um pé de mandioca. Pingue o leite na verruga, depois pendure o pedaço de caule num local alto, sobre a terra. Deixe-o lá até que a verruga seque. Quando isso acontecer, queime o caule numa fogueira.
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A culinária brasileira sofreu diversas influências e, sem dúvida, a mais forte é a portuguesa, marcada pela maneira de preparar os alimentos, no uso do sal, da fritura, nos refogados, cozidos e sopas. Dos indígenas nossa maior herança foi a farinha de mandioca. Com os negros aprendemos a usar o inhame, o azeite-de-dendê, o quiabo, o cuscuz, galinha d’angola e a melancia além dos povos imigrantes como os italianos com que aprendemos a utilizar as massas.
Essas influências culturais agregadas à grande extensão do território brasileiro e às origens do nosso povo fizeram com que a cozinha brasileira variasse muito, mas ela ainda conserva diversos traços característicos que determinam uma culinária regional. Há, no entanto, traços característicos da cozinha brasileira, que são de âmbito geral. Esse é o caso, por exemplo, do peixe com pirão, preparado em todo o nosso litoral e ao longo dos leitos dos rios. A macarronada e o frango assado também estão cada vez mais populares em todo o território nacional. O arroz dá muitos pratos, como o arroz-de-leite, o arroz-de-coco, o arroz-de-pequi, os risotos de frango e o arroz-doce.
O brasileiro ficou conhecido como um povo que tem mania de casar as coisas. Foi
assim o macarrão italiano com a carne, o arroz com o feijão, e o queijo com a goiabada.
Quanto às bebidas o café e a cachaça são consideradas as bebidas nacionais.
Quanto à culinária a amazônica é considerada a mais autêntica das cozinhas brasileiras, sendo predominantemente de origem indígena. Os peixes como o tambaqui, o pirarucu, o tucunaré e outros facilmente encontrados nos rios da região além dos temperos e ervas da região são amplamente utilizados no preparo dos pratos.
A caldeirada preparada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, é um dos pratos mais típicos da região, e emprega peixes de água doce, vários temperos e farinha de mandioca. Mas há ainda os peixes preparados com leite de coco, os guisados de carne de tartaruga, as moquecas e as casquinhas de muçuã, que é um tipo de tartaruga. A maniçoba, o tacacá e o pato ao tucupi são também pratos típicos dessa cozinha, em especial da paraense. Isso sem falar dos doces, compotas e sorvetes feitos com frutos da região, como bacuri, açaí, abricó, cupuaçu, mangaba e murici.
A região nordestina se distingue por sua culinária de contrastes isso devido de um lado à heróica resistência às estiagens e por outro à fartura do litoral com praias sem-fim. Para superar os períodos difíceis o sertanejo nordestino desenvolveu técnicas para armazenar provisões preparando alimentos que pudessem ser conservados, como a carne de sol, em que o sal é empregado como elemento conservante. Já o peixe é uma das principais marcas do Nordeste, destacando-se a cozinha do Maranhão, de forte influência indígena e negra com o peixe frito, a peixada, a torta de camarão, as casquinhas e patinhas de caranguejo, e o famoso arroz-de-cuxá.
Outra cozinha regional bastante característica é a baiana repleta de ingredientes e condimentos que são uma verdadeira tentação. Com influência africana e portuguesa, ela é rica em molhos e cheiros. As festas em devoção aos seus santos não seriam as mesmas sem o acarajé, o cuscuz, o bobó, o efó, o xinxim, o abará, o vatapá, o caruru, receitas com camarão, peixes e outros frutos do mar, com castanha de caju, salsa, cebolinha, azeite-de-dendê, leite de coco e muita pimenta. Mas, o preparo desses pratos precisa das baianas aquela mulher de roupa bem branca e engomada, pois sem ela a comida da não tem sustança e nem guarda as tão faladas propriedades afrodisíacas pois os segredos no preparo desses pratos eram guardados em casa, passando de mãe para filha e só, às vezes, para noras e afilhadas.
A cozinha mineira é conhecida pela mesa farta e variada. Faz cinco refeições ao dia, sendo três delas gastas com o café. O primeiro é simples e bem cedinho, acompanhado de pão com manteiga ou broa de fubá. No meio da tarde, vem o segundo café, com bolos, roscas, biscoito de polvilho, brevidade, biscoitos e queijo fresco. E antes de dormir, mais um outro café reforçado. O fogão mineiro tem sempre um bule de café.
O trivial da mesa mineira é tradicionalmente feijão, angu, farinha de milho ou de mandioca, arroz, lombo de porco, lingüiça, torresmo, carne-seca, galinha e couve.
O feijão tropeiro é uma das maiores especialidades mineiras, sendo preparado com feijão cozido quase sem caldo, ao qual se junta torresmo frito e farinha de mandioca. Também fazem acarajés de feijão, servidos com uma boa pinga. Mas de todos os pratos mineiros, o tutu é a sua grande honra. De sobremesa, goiabada cascão com queijo.
O prato típico da região Sul é o Churrasco Gaúcho um dos pratos mais típicos do país. Gaúcho é o nome dado a quem nasce no Estado do Rio Grande do Sul, embora há algum tempo atrás fosse o nome dado ao homem do sul que vivia no campo, e que geralmente era descendente de índios, portugueses e espanhóis. Foi desse homem e de sua culinária que se originou esse prato. Outro prato famoso é arroz de carreteiro, guisado com charque, que aparece também na região centro-oeste, acompanhado de farofa de banana verde. E como complemento indispensável aparece o mate-chimarrão, tomado na cuia enfeitada de prata.
Quanto às cozinhas carioca e paulista não se pode dizer que sejam típicas. São, tradicionalmente, portuguesas acrescidas de arroz e feijão com influências da culinária italiana, francesa, alemã, japonesa, árabe e norte-americana, fato que se acentua nos últimos anos.
De certa forma, no Rio de Janeiro e em São Paulo come-se de um modo muito particular. O filé com batatas fritas tem o seu lugar assim como a pizza ou um cuscuz paulista preparado com farinha de milho, de mandioca, ovos, ervilha, camarão ou frango, e diversos condimentos. Ou o prato nacional do Brasil - a famosa feijoada -mistura de costeletas, toucinho, carne-seca, pé, orelha, rabo, paio, lingüiça portuguesa e feijão preto. A feijoada também varia de um lugar para outro. No Rio de Janeiro,
em São Paulo e Minas Gerais se usa o feijão preto e carnes salgadas enquanto no nordeste se emprega o feijão mulato com carnes frescas uma grande variedade de legumes como abóbora, quiabo, chuchu, maxixe e batata-doce.
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A cura pelas plantas faz parte da cultura popular brasileira e têm sido utilizadas através dos séculos como importante fonte de tratamento.
As plantas têm a importante função de purificar o organismo expelindo as toxinas, neutralizar a acidez do sangue, suprir a falta de certos elementos nutritivos (vitaminas e sais), estimular a ação de certos órgãos, normalizar o funcionamento de outros, etc.
As plantas podem ser usadas não só como chá, mas também em forma de saladas, sopas, guisados, banhos, cataplasmas, gargarejos, inalações, lavagens, ungüentos e azeites. A seguir mencionaremos algumas plantas e suas aplicações medicinais.
ABúTUA (Cissampelos parreira, cissampelos vitis). Família Minispermáceas.
Outros nomes: Parreira-brava, parreira-do-mato, uva-do-rio-apa, bútua, abuta.
Descrição: É uma bela trepadeira. Dá muitos cachos semelhantes aos da videira, com bagas pretas, de gosto adocicado e que se parecem com uva. Não se comem porém, essas frutas.
Uso medicinal: É diurético e febrífugo. Usadas para tratamento de cálculos renais - tendo grande ação sobre órgãos do aparelho urinário. Usa-se com resultado contra cálculos renais.
É também indicada contra as cólicas que aparecem durante o parto, e, bem assim contra a menstruação difícil e a supressão dos lóquios. É eficaz contra as más digestões, acompanhadas de prisão de ventre, dor de cabeça, tontura, dispepsia.
Alfazema (Lavandula vera, Lavandula officinalis) . Família Labiados
Outros nomes: Lavande.
Descrição: Erva européia aclimatada no Brasil. Caule estirado, esgalhado. Folhas sésseis, ensiformes. flores amarelas, violáceas, dispostas em círculos. Frutos pequeninos semelhantes aos do cominho.
Uso medicinal: Recomenda-se para os casos de anuiria, amenorréia, apoplexia, asma, afecções do fígado e do baço, blenorragia, cãibras, clorose, dores de cabeça, enxaqueca, gota, hipocondria, inapetência, leucorréia, icterícia, nervosismo, reumatismo, ventosidades.
Aplicam-se topicamente cataplasmas com folhas quentes, com folhas cozidas para acalmar as nevralgias e dores reumáticas.
Algodoeiro (Gossypium herbacum). Família: Malváceas.
Descrição: É uma planta muito conhecida e muito cultivada entre nós.
Uso medicinal: Folhas - empregam-se por infusão para os casos de catarro, disenteria, diarréia, enterite. O sumo das folhas cura feridas. As folhas machucadas, postas sobre queimaduras proporcionam alivio imediato.
Flores - Usam-se para os mesmos fins que as folhas.
Sementes - Preparadas por infusão são úteis na amenorréia e dismenorréia.
Raiz - A casca da raiz fresca, por decocção, é empregada nas afecções das vias urinárias. Tem propriedades diuréticas. Pelo seu poder de contratilidade das fibras musculares lisas produz contrações uterinas. Tem igualmente boa ação nas metrorragias.
LIMÃO: (citrus lomonum). Família das Rutáceas.
Descrição: Árvore de 4 a 5 metros de elevação. Caule ramoso. Ramos cheios de espinhos na parte mais delgadas. folhas alteradas, flores numerosas e brancas. Há numerosas variedades como o limão siciliano, o limão-de-casca-fina, o cravo, o galego, etc
Uso medicinal: O limão combate inúmeras enfermidades tais como: acidez na boca, acne afta, alcoolismo, anemia, apendicite, asma, beribéri, broncopneumonia, caspa, cálculos, cirrose, coriza, diabete, difteria, dor de cabeça, enxaqueca, envenenamentos, estomatites, febres, freiras, gengivite, gripe, gota, hemorragia, hemofilia, hemorróidas, hepatite, impotência, insônia, insuficiência cardíaca, lepra, lombriga, mau hálito, mordidas de insetos, nevralgia, obesidade, pústulas, raquitismo infantil, resfriado, reumatismo, sarampo, sífilis, tosse, tuberculose, tumores, úlceras gástricas, urticária, varíola, zumbidos.
O limão produz bom efeito quando tomado em quantidades progressivamente maiores, até certo limite. Iniciando-se por exemplo com dois limões aumentando-se dois por dia até chegarmos à quantidade de 20. A melhor maneira de tomar o limão é espremê-lo num copo e tomar o suco por canudinho.
MALVA - (Malva silvestris, malva vulgaris, malva hirsuta). Família das malváceas.
Descrição: Planta de 30 a 60 cm. Da raiz levantam-se diversas hastes cilíndricas, eretas, ramosas. Folhas alternas, longipecioladas, recortadas em 5 a 7 lobos pouco profundos, obtusos, de bordos serreados, tendo à base duas estípulas sésseis, ovais, acuminadas, quase inteiras, ciliadas. Flores róseas com estrias vermelhas, sustentadas por pedúnculos finos, eretos, desiguais, reunidas em cimeiras de 3 a 5 nas axilas das folhas. Fruto. deprimido, dotado de cálice persistente e composto de numerosos aquênios monospermos.
Uso medicinal: As folhas e as flores são calmantes e emolientes. A malva é um excelente remédio para curar os catarros de qualquer espécie. Em gargarejos ou inalações, dá bom resultado nas enfermidades da garganta e ouvido.
A infusão das folhas e flores é indicada contra as inflamações externas.
poejo - (Mentha pulegium, pulegium vulgare). Família das Labiadas.
Descrição: Planta rasteira. Folhas pequenas, ovais, opostas, inteiras. Cheiram a hortelã. Flores roxo-claras, cheirosas.
Uso medicinal: Usa-se para acidez e ardor do estômago arrotos, catarros em geral, debilidade geral, debilidade do sistema nervoso, diarréias, insônia, irregularidades na menstruação, ventosidade.
Urucu - (Bixa orellana). Família das bixáceas.
Descrição: É um arbusto que cresce até 5 metros de altura. Tronco reto, dividido em ramos que formam uma copa. Folhas alternadas, pecioladas, acuminadas. Fruto de cápsula coberta de espinhos, de 2cm contendo muitas sementes vermelhas, envoltas numa massa da mesma cor das quais se faz um pó vermelho e condimentoso chamado colorau, muito usado na arte culinária.
Uso medicinal: As sementes do urucu são expectorantes nas moléstias do peito. São recomendadas para diversas afecções do coração tais como cardite, endocardite, pericardite. A tinta do urucu é usada como antídoto do ácido prússico, veneno da mandioca.
BIBLIOGRAFIA
Cultura popular brasileira \ Alceu Maynard Araújo
Dicionário de instrumentos brasileiros \ Mario de Andrade
As plantas curam \ Alfonsas Balbachas
Enciclopédia universal
A máquina humana e o naturalismo \ V. Todorovick
Manual do Folclore \ L. Delaha Monica
Almanaque Abril
A Psicologia da Superstição \ G. Jahoda
Lendas e Mitos do Brasil \ Theobaldo Miranda Santos
A História da Gastronomia \ Maria Leonor de M. Soares Leal
Pesquisa baseada em diversos sites sobre o assunto na Internet e publicações sobre o tema.
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